Lindo soneto “Sombras” em Sozinho na Multidão (1979, p. 73), de sebastião Bemfica Milagre, em que realça o esquecimento e as sombras da memória:
Ó sombras, tristes sombras peregrinas
Que vindes quando a lua se levanta
E dormem frágeis, pálidas ondinas
Num leito de águas que balouça e canta;
Visões de névoa e doces serpentinas,
O que vos prende a terra e vos encanta?
Que sóis? Papoulas, gazas superfinas
O pranto sufocando na garganta?
Sois alma? Espetros? Que buscais no espaço
Nestas horas de brando esquecimento
Em que o mundo repousa de cansaço?
Buscamos ser alguém, embalde! O vento
Nos leva em noites mortas e augurais...
E somos sombra...
Sombra e nada mais...
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