terça-feira, 21 de setembro de 2010

soneto “Sombras” em Sozinho na Multidão (1979, p. 73), de sebastião Bemfica Milagre

Lindo soneto “Sombras” em Sozinho na Multidão (1979, p. 73), de sebastião Bemfica Milagre, em que realça o esquecimento e as sombras da memória:

Ó sombras, tristes sombras peregrinas
Que vindes quando a lua se levanta
E dormem frágeis, pálidas ondinas
Num leito de águas que balouça e canta;

Visões de névoa e doces serpentinas,
O que vos prende a terra e vos encanta?
Que sóis? Papoulas, gazas superfinas
O pranto sufocando na garganta?

Sois alma? Espetros? Que buscais no espaço
Nestas horas de brando esquecimento
Em que o mundo repousa de cansaço?

Buscamos ser alguém, embalde! O vento
Nos leva em noites mortas e augurais...
E somos sombra...
Sombra e nada mais...

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