DIÁLOGO INTERTEXTUAL ENTRE A PULSÃO LÍRICA DE
EDGAR ALLAN POE E SEBASTIÃO BEMFICA MILAGRE
José João Bosco Pereira, mestrando do PROMEL- UFSJ1
resumo
O presente trabalho propõe uma leitura intertextual de "The Raven" e "Annabel Lee" de Poe (1845 e 1849) e Gritos, obra poética de Milagre (1972). A análise está centralizada na concepção de pulsão em Freud como o instinto de morte e libido. O poetas estão distantes no tempo e no espaço. A produção de Poe marcou o fim do século XIX e a de Milagre, o fim do século XX. Esta problematização aparece como uma ruptura (vida/morte) no tema da amada. No contexto da poética moderna, ambos se valem de experiencias líricas e experimentações na e pela linguagem. Este formato não esgota a possibilidade de contextualizações temporal e espacial. Assim, a pulsão é projetada na literatura universal e local, que abrange os modos de imaginação. Eros e Tanatos estabelecem os pontos de aproximação e de distância entre os modos de representação da morte. Ao distinguir estes pontos, a literatura é concebida de diferentes culturas.
Palavras-chave: A poética da modernidade, o lirismo, a tradição e a pulsão.
Abstract
This work proposes an intertextual reading of "The Raven" and "Annabel Lee" by Poe (1845 and 1849) and Gritos, Milagre’s poetry book (1972). The analysis is centered on the concept of pulsion in Freud as the death instinct and libido. The poets are distanced by time and space. This problematization appears as a disruption (life/death) in the theme of the beloved. In the context of modern poetry, both used for poetic experiences and experiments in the language. The production of Poe marked the end of the nineteenth century; Milagre, at the end of the twentieth century. This format doesn’t exhaust the possibility of temporal and spatial frameworks. Thus, the pulsion is designed in the universal and local literature, that spans the modes of imagination. Eros and Thanatos they establish some points of approximations and distance between the modes for representation of death. By distinguishing these points, the literature is conceived in different cultures.
Word-key: The poetic of the modernity, lyricism, tradition and pulsion.
INTRODUÇÃO
A lírica de Poe em Milagre, objeto da Poesia Moderna em diálogo com a Psicanálise, nos remete aos estudos da linguagem e da representação. Ambos poetas estão imbuídos da sutilidade e versatilidade “de experiências poéticas e experimentações com e na linguagem que marcaram do fim do século XIX, [que] sinaliza uma tradição que não se esgota em marcos temporais e espaciais”, conforme a síntese de Resende (2010)1
Por escolha metodológica, o direcionamento é centrado na força de temas recorrentes, segundo as quais se busca a interface de escrituras e de até diferentes épocas. As metáforas nos sugerem a morbidez e o idílio fúnebre de imagens. Imagens típicas da Psicanálise. Gritos de Milagre (1972) e “The Raven” / “Annabel Lee” (1845 e 1849) é verso-anverso de experiências estéticas não isoladas da cultura. Nesse sentido, a poesia tece o jogo de signos; evoca um pelo. Nada é gratuito. Em Poe e Milagre, pinçam-se os aspectos das mimeses que têm pulsão lírica como caudal híbrido de camadas da psique e da cultura. Assim, o poema não se fecha em si, abre-se para um novo olhar. Os poemas se aproximam quando se procede uma análise intertextual, interdisciplinar, à luz da Psicanálise e da Tradição Poética.
1. Psicanálise e a lirica: Diferenças entre Edgar Allan Poe e Sebastião Bemfica Milagre
Jean Bellemin-Nöel (1978), fundamentada em Lacan, afirma que a literatura foca “o não-consciente” e a psicanálise: “a teoria do que nos escapa!” Elas leem o cotidiano e historicidade como pretextos para falar de outras “realidades”, construções performáticas e representativas no individuo, falando do homem que está falando. Lacan, certa vez, foi categórico, ao sentenciar que “o inconsciente é estruturado como uma linguagem”, (1978, p. 28). A partir dessa inferência, ela articula a literatura e psicanálise no eixo paradigmático do significante deslizante entre o que flui na textualidade e naquilo que tem vestígios no recalque, preconizando assim: “Nada é gratuito, tudo é significante”, segundo Freud. Bellemin-Nöel sintetiza, finalmente: “Os poetas nos falam de coisas que eles não sabem: o poema sabe mais que o poeta. O sentido excede o texto”. (1978, p. 13 ).
Nesse sentido, é que se deve efetivar a conceituação de Eros e Thanatos. Inclusive, em A morte em Veneza, o editor do prólogo de Thomas Mann (1944) centraliza sua tese, ou melhor a de Freud como impulso artístico no escritor e na obra literária, de modo eficiente:
É mesmo um dos traços da obra: o parentesco com as teorias de Freud. (...) uma ilustração da libido com o impulso artístico: a luta entre a austeridade do artista e o impulso erótico, o processo de regressão onde [aparece] o mar, o simbolismo erótico do sonho, as aberrações do desejo, associadas com a infecção orgânica, o desejo da morte, enfim, os conceitos fundamentais da psicanálise [como] nesta representação de uma sombria e estranha aventura. (grifo nosso) (MANN, 1944, p. 7-11)
O diálogo de Fedro com Sócrates (MANN, 1944, p. 175-8) situa a pulsão na narrativa de A morte em Veneza. A representação lírica acontece em Poe e em Milagre: “A beleza (...) é o caminho da sensualidade; perigos deliciosos; cheia de culpa O poeta não poderá seguir a via da beleza sem que Eros seja guia (...). Devemos aspirar ao amor, nosso prazer e vergonha. Somos dissolutos e aventureiros da emoção. Nossa gloria é farsa.” (Grifo nosso) Molloy (2003) aborda as diferentes narrativas para evitar a redução desta à escrita de si apenas. Embora reconheça a autobiografia, Molloy vê que a hibridez nos remete à poética como o alcance social e a constitutividade textual. O que se questiona são as relações de poder entre a escritura em seu contexto de produção. Molloy (2003, p. 19) apresenta a relação entre inconsciente e formas culturais de manifestação literária: “Ao considerar a mediação narrativa (...), um fragmento, um rastro, armazenado na memória que guia a inscrição do sujeito (...) nas ‘formas culturais’ (...), os escritores recorrem ao arquivo europeu em busca de fragmentos textuais com os quais, (in)conscientemente forjam imagens.” Como Molloy, Ramos (2008), entende as imagens de desencanto do mundo (para Weber, isso é a racionalidade e secularização versus o desprestígio da tradição) na melancolia lírica no contexto de profissionalização na crise da modernidade e na divisão do trabalho intelectual. O escritor se torna um exilado na Polis e um guerreiro solitário no “bisturi do dissecador” (p.16) positivista. Para sobreviver, o escritor se tornar um “sujeito orgânico” (p.20), politizado, capaz de articular “as tensões entre as exigências da vida pública e as pulsões da literatura moderna” (2008, p. 21).
Poe (2007) culpa o sobrenatural pela morte da amada, igualmente Milagre (1972). A atualidade de Poe é recorrente a tal ponto que Ricardo Piglia (1997) 2 aproxima a Psicanálise à Tragédia no diálogo entre os poetas. Para Piglia, Freud buscou a tragédia como forma, não gênero, que estabelece uma tensão entre o herói e a palavra dos mortos. A tensão é ambígua entre a palavra dos deuses com a dos mortais. Tal estruturação parte da palavra: recurso pessoal que desmistifica o poder e remete ao homem como autor de seu destino e vida.3
Em literatura, a tragédia como um gênero é uma tensão entre o herói e a palavra dos deuses, do oráculo, dos mortos, uma palavra vinda do outro lado, dirigida ao sujeito, que não entende tais mensagens. O herói escuta um discurso enigmático como em Édipo, Hamlet, Macbeth. Essa discussão começa com Nietzsche e chega a Brecht.
2. Contextualização da vida e obra de Edgar Allan Poe
Foram comemorados os 200 anos de morte de Edgar Poe em 11 de junho de 2009. Poe foi filho de casal de atores de teatro4, nasceu em 19 de janeiro de 1809 em Boston. Morreu em Baltimore, aos sete de outubro de 1849, como poeta, romancista, crítico literário e editor estado-unidense. Ao morar com a Tia Allan em Baltimore, dedica-se ao jornalismo em Filadélfia e Nova York. Ele fundou sua tipografia5, depois de conflitos com os editores e seu padrasto. Sua paixão à literatura o inquietara a ponto de uma dedicação compulsiva6 como gênio instigante. Em 1845, ele publica “The Raven”, “Annabel Lee”, “Leonore”, dentre outros. Com 36 anos de idade, Poe (2007) escreveu: “Corvo”7 e “Annabel Lee”. Poe atribui à sombra do mal a perda da sua amada. Segundo alguns críticos, a versatilidade em Poe garantiu seu sucesso editorial e a valorização da posteridade. Elaborou uma poética “sui generis” quanto ao estilo e à questão da morte.8 Para não delongar sobre Poe, vale a pena, para conhecimento do leitor, aludir à referência bibliográfica específica, mínima, sobre esse poeta no final dessa pesquisa.
3. Aspectos da vida e obra de Sebastião Bemfica Milagre
A partir de 1940, Milagre começa a escrever seus sonetos: tinha 17 anos. Com a morte do pai, volta à cidade natal, interrompendo o segundo grau que iniciara no Colégio Arnaldo de Belo Horizonte. Passa no concurso da Polícia Civil. Trabalhou por 30 anos como escrivão. Um dos espaços de elaboração e inspirações para tematizar o cotidiano e a abjeção da humanidade; rebelou-se contra a ditadura. A visão milagreana do “mundo (i)mundo” se desvae ao maniqueísmo vital, mas se revela paradoxal ironia. O corpo se torna o cárcere da alma e o locus das pulsões contraditórias do pecado: as inclinações do desejo e da sexualidade. Milagre morre em 22 de fevereiro de 1992, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Parte de sua obra pode ser vista na Internet9 e no Suplemento Literário de Minas Gerais. Das 20 obras de Milagre, citaram-se, para o leitor as conheça, algumas delas no final desse trabalho, além de textos alusivos de teóricos sobre o poeta, contemporâneo de Adélia Prado10.
4. Uma proposta de análise intertextual
Busca-se uma análise intertextual à medida que foca o que aproxima e diferencia a Poe e Milagre, tendo em vista a mesma temática e estilos semelhantes. Estão deslocados no tempo e no espaço cultural da modernidade. A obsessão de Poe está na construção do verso e sua musicalidade, cujos recursos da língua inglesa11 reproduzir a ambiência lírica da melancolia e do luto, impregnada de rimas internas e de arranjos eufônicos. 12 Essa obsessão se verifica em Milagre com uma centralidade do verso livre e a engenhosidade melancólica de poeta tardomoderno.13 Ao se cotejar os poemas, sentir-se-ão tais diferenças e aproximações.
A Colecção Tales of the Grotesque and Arabesque foi traduzida por Baudelaire como "Histoires Extraordinaires“, em 1845, e fora publicada no Jornal Evening Mirror: os poemas “The Raven” (O Corvo) e “Annabell Lee”. Mais especificamente, Poe publicou “O Corvo” pela primeira vez em 29 de Janeiro de 1845.
O Corvo
(Publicado em 29 de Janeiro de 1845; aqui a tradução de Machado de Assis)
Em certo dia, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais".
Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o colchão refletia
A sua última agonia.
Poe começa a situar a aparição do “Corvo”, em que flui a saudade da amada, cuja memória é a cinza sobre a brasa: “Era no glacial dezembro;/ Cada brasa do lar sobre o colchão refletia/ A sua última agonia.”
Eu ansioso pelo Sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará mais.
O contraste se apresenta à medida que a esperança se esvae como o ocaso do sol. O eu-lírico mergulha-se no inconsciente com imagens fúnebres como pesadelo. O poema se anuvia com o reino de sombra, um locus onírico. O eu-lírico sussurra o nome de sua amada: “Só tu, palavra única e dileta.”
E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui, no peito,
Levantei-me de pronto, e "Com efeito,
(Disse), é visita amiga e retardada
"Que bate a estas horas tais.
"É visita que pede à minha porta entrada:
"Há de ser isso e nada mais".
Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo, e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
"Mas como eu, precisando de descanso
"Já cochilava, e tão de manso e manso,
"Batestes, não fui logo, prestemente,
"Certificar-me que aí estais". (...)
E, mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera,
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais".
Não tem certeza do que encontrará no sono-sonho como resposta ao seu lamento: a repetição atroz: “Nunca mais”, a denegação da vida; “Que dos seus cantos usuais/ na amarga e última cantiga.”
Assim posto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranquilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da Lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se despraziam
E agora não se esparzem mais.
Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível:
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
"Manda repouso à dor que te devora
"Destas saudades imortais.
"Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora".
E o corvo disse: "Nunca mais".
Esse estribilho flui imagens de seu desejo febril de reencontrar o impossível: da tumba, emerge a figura da morta e o poeta chora a perda da amada de sua alma.
"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
"Onde reside o mal eterno,
"Ou simplesmente náufrago escapado
"Venhas do temporal que te há lançado
"Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
"Tem os seus lares triunfais,
"Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o corvo disse: "Nunca mais".
"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
"Por esse céu que além se estende,
"Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
"Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
"No Éden celeste a virgem que ela chora
"Nestes retiros sepulcrais,
O domínio de Tanatos e o seu legado insuportável, eterno são elementos constitutivos da poética. A construção da personagem funciona como arquétipo, um idílio fúnebre e a universalidade da perda da amada.
"Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o corvo disse: "Nunca mais!"
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Cessa, ai, cessa! (clamei, levantando-me) cessa!
"Regressando ao temporal, regressa
"À tua noite, deixa-me comigo...
"Vai-te, não fique no meu casto abrigo
"Pluma que lembre essa mentira tua.
"Tira-me ao peito essas fatais
"Garras que abrindo vão a minha dor já crua"
E o corvo disse: "Nunca mais".
E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
O tema atende à alegoria do Ultra-romantismo: o corvo é o ícone de morbidez. O “corvo repousa sobre o busto de Atena, como ícone da inexorabilidade da morte.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais. (...)
Dessa leitura de O Corvo, com o olhar machadiano, se depreende: para Poe, segundo Piglia (1997), o escritor-detetive: é capaz de discutir o mesmo que a sociedade discute, mas de outra maneira. Essa maneira é a chave especial. O psicanalista nos convoca como sujeitos trágicos; diz que há um lugar em que todos somos sujeitos extraordinários, lutando contra tensões e dramas profundíssimos, e isso é muito atraente. Convoca-se o sujeito a um lugar extraordinário, tirando-o do anonimato e repensando o sentido da experiência cotidiana. Pode-se estabelecer um nexo entre ambos quanto à escrita como estado simultâneo de lucidez e loucura, em que eles transferem seus conflitos e os da modernidade para a poética como a arte da natação intrapsíquica. A Literatura é o divã desse pesadelo!
Assim, Freud visualiza a pulsão de morte em Interpretação dos Sonhos como simbologias que foram já recalcados pela censura da psique. Seja o mar e a sombra, seja o sonho, a negação do desejo e da doença, a vida é a estranha aventura que se abala. A tragicidade da vida como inexplicação em si na morte. A tensão vida-morte é a constante das pulsões intrapsíquicas.
Em Gritos (1972), obra de ruptura, com uma tônica melancólica decorrente do passamento de sua esposa Lilia. Em cada página, o poema assume formas diferenciadas nas variações semânticas. A trova servirá a outro propósito: um canto de lamentação e o epitáfio ao espectro da mulher e seu encontro em clima onírico e utópico. Veja este excerto de Gritos, de Sebastião Milagre (1972, p. 32 – 57)
Morrer, deixando incompletos
sonhos e planos que, um dia,
formulamos, inquietos,
eu e a tão meiga Lilia; (...)
Que é isso, Deus-Abrigo?
Dizei, por Virgem Maria!
Será que foi por castigo
que fiquei sem a Lilia? (P. 32) (...)
Quebrem-se, então, os meus ossos;
me tratem com zombaria
e reduzam-me a destroços,
se é para o bem da Lilia. (p. 33) (...)
Em 1972, Grito, obra de ruptura, Milagre justifica-se, com tom melancólico-rebelante: “Gritar que o amor é incompreensível por querer sustentar-se eterno na fugacidade da vida terrena... (...) Gritar que a vida é insuportável. (...) não há remédio para o amor cujo desfecho é a morte. (...) Por que tive o destino de amar profundamente e a uma só mulher? Melhor é destruir estes versos? Melhor que ninguém lembre que Lilia e Tião se amaram?...” Nesse modo, há um distanciamento da tradição e um questionar filosófico marcado pelo ceticismo em Milagre. O mal de arquivo se perpassa a crise da modernidade e na postura crítica à erotização do poema como libido (em Prazer do Texto em Barthes14) e ao deslocamento metafórico da morte como pathos. 15
'É assim que o destino bate à prota' - Beethoven
... trombo-------tromba
tampa
tomba
trombadoença assoma
a sombra assombra
fataldia
Tomba, tromba na história de sua vida, o labirinto da sua melancolia, um luto prolongado em cada obra, em cada verso, em cada suspiro, em cada grito. Um lamento como Beethoven: apenas a solidão fica do que não parte, a outra parte é irrecuperável. Cada nota musical, cada verso, cada pauta de dor, cada partitura de réquiem é só uma rememoração do espectro. O retrato é o espelho do que já não é; não existe mais. Especula o além, só fica aqui no agora, flui o aquém, da vida terrenal. E “assim o destino bate à porta...” como intuíra Beethoven. O poeta não “tampa” seu luto, seu réquiem: solve cada dia sua melancolia... Há uma fatalidade, tragicidade poeniana (como Poe sofre a perda de Virginia tanto quanto o eu-lírico amaldiçoa o mar, que lhe roubara Annabel Lee). Uma noiva morta lhes resta. Lilia e Annabel Lee são túmulos, namoradas da morte, moradas finadas, amadas finitas.
.... por que a lilia foi-se?
ah! foice
era esposa noiva
morrenova
estou a atri
batido bulado
ver amo
gastado finado
entre tanto
amor mor não mor
re
O conceito de eterno retorno de Nietzsche está na circularidade do sofrimento na melancolia e no luto do poeta como arconte ou homem da memória de que nos elucida Colombo (1991)16 e Le Goff (2003)17. Aí está o segredo de Milagre18. Para Adorno, isso é a indissolubilidade do segredo.19 Em O Mundo Mundo-Outro (1976, p. 7), Dr. F. Teixeira justifica:
Tudo anuncia a volta. A presença imorrida. (...) ninguém morre completamente. Aí começa o sono da realidade entre os sonhos da verdade. Mas, seus sentimentos pertencem ao poeta, que estourou as paredes do tempo com os gritos do amor e acordou os homens para segredar-lhes ser a ausência a única convicção da presença dos que amamos numa estação, bem próxima, de espera. [Gritos] foi a melhor herança que, todos aqui, recolheram, por você, Sebastião, de sua sempre-lembrança, sempre-presença, sempre-Lilia. (MILAGRE, 1976, p.8):
Marques (2003, p.143 e 146) explicita o “Um Duplo Envolvimento” e “Uma Dupla Operação” no arquivamento de si: “prática de construção [de imagem intima de si] e de resistência” (idem, p. 147), talvez a possíveis (in)compreensões sobre sua poética em uma comunidade em transição entre o tradicional e o moderno. Marques em Arquivamento do Escritor (2003)20, especifica a relação poética-mercado, Marques (2007)21 a partir do conceito de locação em: literário, cultural, político e dos afetos. O poeta não pode se furtar da tensão entre a autonomia da arte e sua sobrevivência no mundo editorial e mercadológico. Essa tensão mercadológica e os níveis de locação de uma obra podem ser outros critérios de análise dessas obras. Aqui só se alude a isso, sem contudo realizar uma análise, o que fugiria ao objetivo central dessa pesquisa.
Li li amor
minha na
morada
quando e quanto
te terei hoje-sempre?
querida
quero ida contigo
e ter na
feliz cidade. (p. 57)"
Nesse poema milagreano, a indagação do eu-lírico não encontra respostas para a morte da amada. O desespero aumenta com o silêncio de Deus22 e não aceita resignar-se frente ao mistério da finitude. A morte é vista como trágica. Cabe ao homem fugir no sonho. Para o poeta a felicidade dos outros lhe faz sofrer mais com a inexorável sentença de morte da amada. Resta o poeta projetar um encontro além com Lilia quando sua vida aqui é só melancolia-solidão, taedium vitae e desejo de morte. É o Spleen, de Baudelaire.23
Mas, cotejando Milagre e Poe, procura-se articular a figura de Lilia à “Annabel Lee”, de Poe (2007), ambas jovens e falecidas prematuramente.
“Annabel Lee” - 1849 24 Veja um fragmento do poema do Poe (2007) 25:
“Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor –
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
A ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu da nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes do céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
de muito mais velhos a mar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem os demônios debaixo do mar
poderão separar a minha alma da alma
da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só lembram olhares
Da linda que eu sobre amar;
E assim estou deitado toda a noite ao lado
do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu Fado,
no sepulcro ao pé do mar,
ao pé do murmúrio do mar."
A tragicidade grega se reitera, mas deixa marca de tradição não somente no cânone. Eufonicamente, há ecos da “Anabell Lee”, de Poe na escrita milagreana... São ecos de vozes femininas em ambas as obras. O tema da perda da amada é mais frequente do que se pensa na literatura mineira, um dos motivos é a melancolia.
Conclusão
Que diferenças e convergências há entre Poe e Milagre, sendo dois autores de épocas diferentes? A aproximação temática comum entre eles, não descura da diferença de estilos e de contextos sociais. O tema da morte e da morte da mulher amada é uma das convergências. A diferença reside no estilo e no deslocamento desse tema em épocas diferentes.
Diante da finitude do homem, o Simbolismo apela para uma transcendentalidade26 cujos status trouxe não menos o espaço simbólico de fugas e excessos. Contudo, significou o simbolismo em outras versões no modernismo uma indagação sobre os mistérios que a ratio não ousava decifrar contundentemente. Daí uma demanda paradoxal em Poe e em Milagre, ao mesmo tempo, urge fiscar-lhes a criatividade gótica e os recursos à poética moderna, com certo ceticismo e rebeldia. Em ambos, o gênio irrequieto e estrutura rebelante só foram reconhecidos tardiamente, uma vez que seu modo próprio de escritura representou uma ruptura e ameaça ao status quo.
O que se destaca é a ousadia lírica de ambos, visto que se apresentam paradoxalmente o ceticismo ao lado de reflexões religiosas. Ambos fizeram sonetos de cunho tradicional na perspectiva canônica. Na obra Gritos (1972), Milagre também começa com um soneto a Lilia, sua primeira esposa, que serve de mote ou leitmotiv para uma desconstrução como desdobramentos ousados à maneira modernista e vanguardista.
Ambos se revelam melancólicos e incisivos contra a ortodoxia. Em Talento Individual e Tradição, T. S. Eliot (1989) preconizou a maneira pela qual o poeta elabora uma diferente interpretação da tradição. É essa a perspectiva de diálogo entre psique e cultura, ou seja, entre pulsão e lírica, focando Eros e Tanatos nos temas inovadores em Poe e Milagre.27 O fluir da libido no verso, exige meticulosidade do poeta, articulando elementos de uma pulsão lírica para deixar falar o desejo, negado pela censura e pela Ratio. Ele mimeticamente elabora seus conteúdos inconscientes.
A escritura é híbrida, um conjunto de pulsões: uma representação materializada na linguagem, certo recorte do “real”, da libido no locus verba do texto e do contexto como materialização do desejo, seja calcados nos princípios de morte ou de vida. Poe e Milagre questionam ou descondicionam visões estereotipadas de homem e de mundo. O poema é o lugar da sublimação e da melancolia que perpassa o processo de criação densa. Poe re-elaborando o goticismo e o neosimbolismo na poesia e na prosa. Milagre apropriando-se de outras estéticas que não parnasianas e realistas, deu asas à criatividade neoconcretista e variantes do poema práxis e processo. Nesse âmbito, ainda são válidas as reflexões ousadas de Haroldo de Campos (1963). Especialmente, Milagre se posicionou como poeta engajado e participante, aproximando-se de Gullar. Nesse sentido, sua poesia articula o sentimento/sentimental com o social / cultural: o psíquico se insere na economia poética dos paradoxos culturais.
Ambos se constituíram divisor de águas em suas sociedades. O Eros exige a libidização das relações como realização e auto-realização do ego que se abre ao Id freudiano. O superego se interpõe como censura e ruptura do desejo e causa o recalque. A vida humana se torna o espaço de frustração amorosa e conflito existencial, diluindo as razões da submissão do homem ao destino e ao trauma da morte.
Assim como apontara Ramos (2008, p. 15): “... nenhum texto pode ser lido como documento passivo, como um testemunho transparente da crise. (...) A literatura moderna se constitui e prolifera, paradoxal, anunciando sua morte e denunciando a crise da modernidade.” Para Ramos (2008, p. 38)28, que conceitua o poético: “O olhar – e a autoridade da poesia começa onde termina o mundo representável pela disciplina. Daí, a literatura ser uma fronteira da fronteira, uma reflexão sobre os limites da lei.” Nessa acepção moderna, é que inserimos as preocupações em contextualizar a análise com um viés social e político da poética.
Contextualizando a obra de ambos, infere-se que Poe e Milagre são signos de uma modernidade desigual e tardia, respectivamente. Para situar a obra milagreana, sugere-se a leitura de Corgozinho (2003) quanto ao referencial benjaminiano de perda da aura como o processo baudelaireano29 de transição entre a tradição e a modernidade, trilhas que ainda nos instigam.
A partir da visão de Bruno (1982) sobre os paradoxos da vida humana à luz da psicanálise, explicitamos a inscrição de Freud nos estudos do Inconsciente como um instrumental conceitual interdisciplinar, atualizado para a análise do tema que aqui se abordou na dinâmica dialética de Eros e Tanatos em ambos poetas, embora de épocas diferentes e estilos convergentes.
Inclusive em Bellemin-Nöel (1978) se deve considerara a pulsão à luz do conceitto freudiano de sublimação. E a pulsão lírica, como entendemos aqui, recobre o instinto como categoria de comportamentos pré-estabelecidos (elaboração criativa que supera o estereotipo). Porque a a pulsão como libido, certamente tem os mesmos mecanismos organizadores da mímesis na Poética Aristotélica, que abrange os modos de imaginação e os modos de representação na escritura como mecanismos de suspensão relativa da moralidade e fluição psíquica quando de seu processo de desrecalque e possível tensão criativa da Escritura como tecido ou tecelagem entre os universos do Logós e intuitividade, fundindo-os sem limites rígidos como pensara Derrida em Mal de Arquivo (2001) e em Farmácia de Platão (2005). O tecido do texto incorpora vestígios do inconsciente e se torna espaço de fruição libidinosa, mediando nos labirintos da literatura os conteúdos recalcados pela cultura.
Ou melhor, o enfrentamento do sofrimento e o esvaziamento do sentido existencial, uma leitura que parte da Psicanálise e avança em outros saberes, como: a Antropologias, Sociologia e a Filosofia. É claro é uma abordagem ampla citada apenas como insinuação de futura leitura. À luz da escritura de Poe, não pode deixar de dizer que Milagre constitui, nas margens, um poeta em processo de conquista das letras, uma vez que se inspira naquele seu fazer poético ousado, tardomoderno.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
REFERÊNCIA GERAL
BARTHES, Roland. O Prazer do Texto. Trad. J. Guinsburg. SP: Perspectiva, 1993, 86 p.
BELLEMIN-NOËL, Jean. Psicanálise e Literatura. São Paulo: Cultrix, 1978.
BENJAMIN, Walter. A obra de arte na época de suas técnicas de reprodução. In: Os Pensadores. V. XLVIII. Abril Cultural, 1ª edição, 1975.
BETTELHEIM, Bruno. Freud e a Alma Humana. São Paulo: Cultrix, 1982.
CAMPOS, Haroldo de. Da Tradução como Criação e como Crítica. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 4-5: 164-181, jun. set. 1963.
COLOMBO, Fausto. Arquivos Imperfeitos: Memória Social e Cultura Eletrônica. São Paulo: Perspectiva, 1991.
DERRIDA, J. Mal do Arquivo. Trad. Claudia Rego. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001.
DERRIDA, J. Farmácia de Platão. Trad. Rogério da Costa. São Paulo: Iluminuras, 2005.
ELIOT, T.S. Tradição e Talento Individual. In: Ensaios. Trad. Ivan Junqueira. São Paulo: Art
Editora, 1989, p. 37-47.
FREUD, Sigmund. ESB das Obras Completas de Freud. Rio de Janeiro: Imago, vol. XVII, 1969.
FREUD, S. O Futuro de uma Ilusão. Op. cit. v. XXI. 1927.
FREUD, S. A Interpretação dos Sonhos. Op. cit. v. IV. 1900.
FREUD, S. O Mal-Estar na Civilização. Op. cit. v. XXI. 1929.
FREUD, S. Metapsychologie. Op. cit. v. XIV. 1914-1917.
HANNS, Luiz. Dicionário Comentado do Alemão de Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
LE GOFF, J. História e Memória. Trad. Bernardo Leitão et al. 5ª. Ed. Campinas: Unicamp, 2003.419-476.
LIMA, Luiz Costa. Teoria da Literatura em Suas Fontes. R J: Francisco Alves, 1983.
MANN, Thomas. A Morte em Veneza. São Paulo: Ed. Flama, 1944.
MOLLOY, Sylvia. À Vista, a Escrita Autobiográfica na América Hispânica. Chapecó: Argos. 2003.
MARQUES, Reinaldo. Poesia e mercado: o que dizem as cartas. Suplemento Literário. In: Suplemento: Acervo dos Escritores Mineiros. Belo Horizonte: jun. 2007, edição especial.
RAMOS, Julio. Desencontros da Modernidade na America Latina: Literatura e Política no século 19. Belo Horizonte: UFMG, 2008.
SOUZA, Eneida Maria de e MIRANDA, Wander Mello. (Orgs) Arquivos Literários. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.
REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA DE SEBASTIÃO BEMFICA MILAGRE
MILAGRE, Sebastião Bemfica. O Doador de Sangue / Procissão da Soledade. Gráfica Sidil, Divinópolis, 1990. 159 p.
MILAGRE, Sebastião Bemfica. Gomos da Lua. Belo Horizonte: s/editora, 1963. 84 p.
MILAGRE, Sebastião Bemfica. Gritos. Divinópolis: ADL (Academia Div. de Letras), 1972.
MILAGRE, Sebastião Bemfica. O Mundo e Mundo-Outro. Divinópolis: Sidil.1976
MILAGRE, Sebastião Bemfica. O Mundo e O Terceiro Mundo. Divinópolis, 981. 33 p.
MILAGRE, Sebastião Bemfica. Sozinho na Multidão. Divinópolis: ADL, 1979. 117 p. 109
MILAGRE, Sebastião Bemfica. 3 EM 1. Divinópolis: Gráfica Santo Antônio. 1985. 6 p.
MILAGRE, Sebastião Bemfica. O Viaduto das Almas / O Homem Agioso. Sto Antônio, 1986.
REFERÊNCIAS ESPECÍFICAS ALUSIVA SOBRE MILAGRE
BARRETO, Lázaro. Memorial de Divinópolis: História do Municipio. Serfor, 1992.
BESSA, Pedro Pires. Letras à moda: Literatura Divinopolitana. Disponível em: http://www.blogger.com/feeds/2831318991558295683/posts/default, acesso em: 19. mar. 2010, poemas de Milagre, Adélia Prado e outros escritores.
BESSA, Pedro Pires. Sebastião Bemfica Milagre: O Poeta de Divinópolis. Divinópolis: Fapemig, Funedi, Uemg, 2003a. 156 p.
BESSA, Pedro Pires. Textos e Ressonância. Belo Horizonte: Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, 2003b. 106 p.
CORGOZINHO, Batistina Maria de Sousa. Nas Linhas da Modernidade: Continuidade e Ruptura. BH: Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais. 2003. 366 p.
PRADO, Adélia. Bagagem. São Paulo: Editora Siciliano, 1993.
REFERÊNCIAS ESPECÍFICAS SOBRE EDGAR ALLAN POE
POE, Edgar Allan. Antologia de Contos. Trad. Brenno Silveira. RJ: Civ. Brasileira, 1959.
POE, Edgar Allan. A Carta Roubada. São Paulo: Rideel, 2007.
POE, Edgar Allan. Dictionnaire Encyclopédique Pour Tous. Paris: Petit Larousse, 1966.
POE, Edgar Allan. Poemas e Ensaios. Trad. Oscar Mendes e Milton Amado. São Paulo: Editora Globo, 1999.
POE, Allan. Poesia e Prosa: obras escolhidas. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1990.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
O Cronista Augusto Fidelis
Hoje nossa homenagem se destina a pessoa singular na topografia da cultura local
Bela noite... de poesia.
Fluem mágicas antenas
Por inspiráticos fluidos. (...)
Os vates da cidade
Aqui declamam, aqui amam
Aqui derramam, aqui clamam (...)
Os homens de olhar longe...
(poema “A Noite da Poesia”, de Sebastião B. Milagre,
em Doador de Sangue, 1990, p. 55-56)
Augusto Fidelis parabéns por mais um ano de vida!
Com esses versos milagreanos, enaltecemos a Augusto Fidelis, cujas marcas na Cultura local já são muitas e sólidas. Sua noite natalina é de alegria e poesia! As estrelas quais “mágicas antenas” de sua bondade e inteligência dizem que são anos “fluidos”; que é também um dos “vates da cidade”; um d”os homens de olhar longe”, cujo cuidado torna-se em obras de luz sideral; que escreves em crônicas o que a poesia “aqui defende, declama, ama, derrama, clama” como vivências e valores dos homens que “aqui amam”, segundo a previsão lírica de Sebastião Milagre, a quem tanto conheceu e admirou!
Confiado a João Bosco, eis o testemunho de Augusto sobre Milagre em “Café com Sebastião Milagre (2009)” – de Augusto A. Fidelis:
Conheci Sebastião B. Milagre por volta de 1983, quando comecei a trabalhar na Rádio Minas, como repórter. Ele, membro proeminente da Academia Divinopolitana de Letras, sempre e fonte para alguma matéria. Nessa época, fui à sua casa algumas vezes, para as sessões de música eruditas, apresentadas no seu aparelho de som, em disco de vinil ou fita K-7, com elaborado programa. Na ampla sala de visitas, os convidados se sentavam de maneira bem estratégica, não só para ouvir a música, mas também receber as possíveis explicações sobre a obra em execução. Enquanto desenvolvia o programa, a esposa Maria do Carmo preparava o delicioso café com pão de queijo, sempre servido no intervalo. Inspirado na sua gentileza, quando realizei a primeira Noite da Poesia na Escola Municipal de Música, que seria a única, em setembro de 1988, servi, no final, café com pão de queijo. E foi graças à sua intervenção, nessa oportunidade, que a Noite da Poesia teve continuidade até dezembro daquele ano. Aliás, não só até dezembro de 1988, como foi a sugestão, mas prossegue até hoje, apesar das muitas tentativas de acabar com esse evento. (cf. FIDELIS, 2009, p. única).
Com presença intuitiva e ativa entre nós, podemos situar Augusto Fidelis em Divinópolis. Ele nasceu em 19 de outubro de 1954, em Carmo da Mata, MG, jornalista, escritor, cronista já consagrado na imprensa local, destacou-se com O Julgamento da Cigarra (2004), uma versão crítica da fábula de Esopo e mediada pela herança de La Fontaine. Guarda uma lavra de poemas a publicação logo que puder!
Em Doador de Sangue (1990), Milagre nos lembra que Augusto (seu nome aparece duas vezes) é o realizador ou fundador da primeira Noite da Poesia, idealizada poeta Milagre:
“A Noite da Poesia”, evento poético, vem acontecendo todo mês, em Divinópolis, na sede da Escola Municipal de Música, desde Setembro de 1988. Seu realizador tem sido Augusto Fidelis. Ali, os poetas declamam seus poemas ou de outrem, ou simplesmente ouvem. Ao final do sarau, Augusto serve café e pão-de-queijo ou refrigerante. É grande a freqüência. (grifo nosso) (MILAGRE, 1990, p. 56)
Fez uma renovação com dois bons e frutíferos mandatos na ADL (2007-2009) como o 17º presidente a ser sempre ovacionado na Galeria dos Presidentes. São mandatos que, recentemente, significaram uma transição e renovação nesse momento inaugural do século XXI. Conquistou as atuais cadeiras Luis XV e parcerias para a ADL, com as quais alavancou projetos de valor cultural inestimável; restaurou, pintou a Biblioteca – hoje é um brinco de perola e vale a pena conhecer, cujo nome, por ele destinado, em epígrafe é Carlos Altivo, iniciativas dele realizadas com o aval dos acadêmicos. Reuniões animadas e cheias de visitantes e animadas.
Na ADL, ocupa a cadeira 26, desde o seu natalício de 2005; seu patrono é o escritor Malba Tahan, pseudônimo do engenheiro e professor Júlio César de Mello e Souza (1895-1974), autor de O Homem que Calculava e Maktub! Sempre que pode vem divulgando as obras desse autor. Durante sua presidência, lançou-se Efemérides da ADL (2008) e a inscrição de vários novos acadêmicos. Em Anthocrônica II – Antologia de Crônicas (2009), nas pp. 07-10, escreveu “O tempo e a tristeza pela profissão errada” e “Por que falar de amor?” ; na Antologia ADL 2009, PP. 10-12, publicou: “Benefícios da Imortalidade” e “Há uma cadeira vazia”. Atualmente, faz parte da Comissão de contas e outros projetos da ADL.
Sua voz ecoa cada manhã de sábado na Rádio Minas com criatividade e marca indelével. Incentivador da cultura local, ele recebeu o título de cidadão honorário em 1994, ocupou cargos como vereador em 1993, foi presidente da Fundação de Cultura de Divinópolis, Diretor da Escola de Música, do Esporte e Lazer... Dados do Poder Legislativo de Divinópolis: 1912-2002. Iniciou circulo intenso de palestras na ADL.
Muitos afirmam que desde que aqui chegou vem fazendo diferença pela elegância e criatividade com que vem levando sua vida.
Há muito já desejava conquistar Divinópolis. E vem conseguindo! Ele não conquista apenas títulos, principalmente afirma-se com a quantidade de amizade, que não perde em qualidade! “Ele é de outros carnavais”: a expressões faz jus enquanto Fidelis soube curtir a existência fugaz da festa mais popular do mundo. Se vão tantos carnavais e está sempre apertado em costura entre as muitas atividades com que tece o sentido da sua existência, há de convir que vem cada ano fazendo seu natalício neste ano com indubitável menu de gratidão à vida.
Seus cartões e convites no-lo testam! Projeta-se na figura singela do sertanejo à semear estrelas, cujo brilho ilumina a trilha por onde percorre – mesmo que seja, dura e atroz, envolta à escuridão. E quem disse que a escuridão não tem seus caprichos e beleza cósmica. Basta mirar o céu em noite límpida para ver salpicado de extraordinária magnitude e mistério o céu cujo norte se destaca uma estrela d’alva. Penso que a estrela de que me refiro é a fé ou o ideal de humanidade ou de investimento de que fazem parte o perfil augustiano. Fidelis é fiel ao projeto reservado por Deus a ele. E quem é fiel nas pequenas coisas como será então nas grandes ou nas médias.
Parece-nos que Augusto vem, pari passu, percorrendo as pulsações e enfrentando silenciosa e corajosamente a caminhada com maestria e galhardia. Ele mesmo sabe que com pouco Deus faz maravilhas; muito sem ele é hipocrisia! Não deixe de conversar e conviver com quem sabe que “o que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”.
Com esse epicentro no pensamento e no coração ambrosiano, existe uma opção sábia fundada na poesia de Cora Coralina. Foi o próprio Augusto que escolheu para seu cartão tão lindo esse referencial vivo e iluminador. As estrelas são as metáforas alusivas à amizade ou à fé que alumia a vida de Augusto entre nós.
Ele vê a gente e a si como quem semeia: Padre Antônio Vieira, recorrendo à parábola do semeador asseverou certa vez, mais ou menos assim: Coragem para semear o bem e firmeza para colher a semente madura são condições diferentes do agricultor do Reino dos Céus. Se é difícil semear porque há de si limpar a terra, abrir com esforço o sulco para a boa semente de Cristo nos corações (...), mas poucos são os que em vida colhem os frutos de seu ministério – não se sabe por que mistérios – outros colherão os frutos da semente que semeaste. (fonte alusiva a Pe. Vieira, material mimiografado, sem referência).
Esperamos convictos de que os cabelos brancos da maturidade não esmorecerão o empenho de Augusto Fidelis visto que Deus vem abençoando sua atitude com louros de sucesso, serenidade na adversidade, esperança no porvir quando tudo parece ruir... Isso mesmo, Fidelis lança a rede do coração para alçar as estrelas e semeia ainda enquanto tem força e coragem, firmeza e humildade, que se colhem em vida como louros da vitória.
Aqui comigo já sinto o quanto e porque já usufrui de sua amizade. E por isso, agradeço sua presença na vida de quantos vêm sombreando-se da sua árvore – quanto mais em anos mais fruto e saborosos se forjarão.
Desejo que a Estrela-Guia – a memória de sua querida mãezinha – o anime com o exemplo viçoso de um olhar materno que se vivifique e edifique nos que o amam em qualidade de vida e serviços à comunidade divinopolitana e lhe desejam feliz aniversário nesse feliz 2010!
Particularmente, minha gratidão pelo apoio em momentos relevantes em minha vida!
Texto de José João Bosco Pereira.
Bela noite... de poesia.
Fluem mágicas antenas
Por inspiráticos fluidos. (...)
Os vates da cidade
Aqui declamam, aqui amam
Aqui derramam, aqui clamam (...)
Os homens de olhar longe...
(poema “A Noite da Poesia”, de Sebastião B. Milagre,
em Doador de Sangue, 1990, p. 55-56)
Augusto Fidelis parabéns por mais um ano de vida!
Com esses versos milagreanos, enaltecemos a Augusto Fidelis, cujas marcas na Cultura local já são muitas e sólidas. Sua noite natalina é de alegria e poesia! As estrelas quais “mágicas antenas” de sua bondade e inteligência dizem que são anos “fluidos”; que é também um dos “vates da cidade”; um d”os homens de olhar longe”, cujo cuidado torna-se em obras de luz sideral; que escreves em crônicas o que a poesia “aqui defende, declama, ama, derrama, clama” como vivências e valores dos homens que “aqui amam”, segundo a previsão lírica de Sebastião Milagre, a quem tanto conheceu e admirou!
Confiado a João Bosco, eis o testemunho de Augusto sobre Milagre em “Café com Sebastião Milagre (2009)” – de Augusto A. Fidelis:
Conheci Sebastião B. Milagre por volta de 1983, quando comecei a trabalhar na Rádio Minas, como repórter. Ele, membro proeminente da Academia Divinopolitana de Letras, sempre e fonte para alguma matéria. Nessa época, fui à sua casa algumas vezes, para as sessões de música eruditas, apresentadas no seu aparelho de som, em disco de vinil ou fita K-7, com elaborado programa. Na ampla sala de visitas, os convidados se sentavam de maneira bem estratégica, não só para ouvir a música, mas também receber as possíveis explicações sobre a obra em execução. Enquanto desenvolvia o programa, a esposa Maria do Carmo preparava o delicioso café com pão de queijo, sempre servido no intervalo. Inspirado na sua gentileza, quando realizei a primeira Noite da Poesia na Escola Municipal de Música, que seria a única, em setembro de 1988, servi, no final, café com pão de queijo. E foi graças à sua intervenção, nessa oportunidade, que a Noite da Poesia teve continuidade até dezembro daquele ano. Aliás, não só até dezembro de 1988, como foi a sugestão, mas prossegue até hoje, apesar das muitas tentativas de acabar com esse evento. (cf. FIDELIS, 2009, p. única).
Com presença intuitiva e ativa entre nós, podemos situar Augusto Fidelis em Divinópolis. Ele nasceu em 19 de outubro de 1954, em Carmo da Mata, MG, jornalista, escritor, cronista já consagrado na imprensa local, destacou-se com O Julgamento da Cigarra (2004), uma versão crítica da fábula de Esopo e mediada pela herança de La Fontaine. Guarda uma lavra de poemas a publicação logo que puder!
Em Doador de Sangue (1990), Milagre nos lembra que Augusto (seu nome aparece duas vezes) é o realizador ou fundador da primeira Noite da Poesia, idealizada poeta Milagre:
“A Noite da Poesia”, evento poético, vem acontecendo todo mês, em Divinópolis, na sede da Escola Municipal de Música, desde Setembro de 1988. Seu realizador tem sido Augusto Fidelis. Ali, os poetas declamam seus poemas ou de outrem, ou simplesmente ouvem. Ao final do sarau, Augusto serve café e pão-de-queijo ou refrigerante. É grande a freqüência. (grifo nosso) (MILAGRE, 1990, p. 56)
Fez uma renovação com dois bons e frutíferos mandatos na ADL (2007-2009) como o 17º presidente a ser sempre ovacionado na Galeria dos Presidentes. São mandatos que, recentemente, significaram uma transição e renovação nesse momento inaugural do século XXI. Conquistou as atuais cadeiras Luis XV e parcerias para a ADL, com as quais alavancou projetos de valor cultural inestimável; restaurou, pintou a Biblioteca – hoje é um brinco de perola e vale a pena conhecer, cujo nome, por ele destinado, em epígrafe é Carlos Altivo, iniciativas dele realizadas com o aval dos acadêmicos. Reuniões animadas e cheias de visitantes e animadas.
Na ADL, ocupa a cadeira 26, desde o seu natalício de 2005; seu patrono é o escritor Malba Tahan, pseudônimo do engenheiro e professor Júlio César de Mello e Souza (1895-1974), autor de O Homem que Calculava e Maktub! Sempre que pode vem divulgando as obras desse autor. Durante sua presidência, lançou-se Efemérides da ADL (2008) e a inscrição de vários novos acadêmicos. Em Anthocrônica II – Antologia de Crônicas (2009), nas pp. 07-10, escreveu “O tempo e a tristeza pela profissão errada” e “Por que falar de amor?” ; na Antologia ADL 2009, PP. 10-12, publicou: “Benefícios da Imortalidade” e “Há uma cadeira vazia”. Atualmente, faz parte da Comissão de contas e outros projetos da ADL.
Sua voz ecoa cada manhã de sábado na Rádio Minas com criatividade e marca indelével. Incentivador da cultura local, ele recebeu o título de cidadão honorário em 1994, ocupou cargos como vereador em 1993, foi presidente da Fundação de Cultura de Divinópolis, Diretor da Escola de Música, do Esporte e Lazer... Dados do Poder Legislativo de Divinópolis: 1912-2002. Iniciou circulo intenso de palestras na ADL.
Muitos afirmam que desde que aqui chegou vem fazendo diferença pela elegância e criatividade com que vem levando sua vida.
Há muito já desejava conquistar Divinópolis. E vem conseguindo! Ele não conquista apenas títulos, principalmente afirma-se com a quantidade de amizade, que não perde em qualidade! “Ele é de outros carnavais”: a expressões faz jus enquanto Fidelis soube curtir a existência fugaz da festa mais popular do mundo. Se vão tantos carnavais e está sempre apertado em costura entre as muitas atividades com que tece o sentido da sua existência, há de convir que vem cada ano fazendo seu natalício neste ano com indubitável menu de gratidão à vida.
Seus cartões e convites no-lo testam! Projeta-se na figura singela do sertanejo à semear estrelas, cujo brilho ilumina a trilha por onde percorre – mesmo que seja, dura e atroz, envolta à escuridão. E quem disse que a escuridão não tem seus caprichos e beleza cósmica. Basta mirar o céu em noite límpida para ver salpicado de extraordinária magnitude e mistério o céu cujo norte se destaca uma estrela d’alva. Penso que a estrela de que me refiro é a fé ou o ideal de humanidade ou de investimento de que fazem parte o perfil augustiano. Fidelis é fiel ao projeto reservado por Deus a ele. E quem é fiel nas pequenas coisas como será então nas grandes ou nas médias.
Parece-nos que Augusto vem, pari passu, percorrendo as pulsações e enfrentando silenciosa e corajosamente a caminhada com maestria e galhardia. Ele mesmo sabe que com pouco Deus faz maravilhas; muito sem ele é hipocrisia! Não deixe de conversar e conviver com quem sabe que “o que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”.
Com esse epicentro no pensamento e no coração ambrosiano, existe uma opção sábia fundada na poesia de Cora Coralina. Foi o próprio Augusto que escolheu para seu cartão tão lindo esse referencial vivo e iluminador. As estrelas são as metáforas alusivas à amizade ou à fé que alumia a vida de Augusto entre nós.
Ele vê a gente e a si como quem semeia: Padre Antônio Vieira, recorrendo à parábola do semeador asseverou certa vez, mais ou menos assim: Coragem para semear o bem e firmeza para colher a semente madura são condições diferentes do agricultor do Reino dos Céus. Se é difícil semear porque há de si limpar a terra, abrir com esforço o sulco para a boa semente de Cristo nos corações (...), mas poucos são os que em vida colhem os frutos de seu ministério – não se sabe por que mistérios – outros colherão os frutos da semente que semeaste. (fonte alusiva a Pe. Vieira, material mimiografado, sem referência).
Esperamos convictos de que os cabelos brancos da maturidade não esmorecerão o empenho de Augusto Fidelis visto que Deus vem abençoando sua atitude com louros de sucesso, serenidade na adversidade, esperança no porvir quando tudo parece ruir... Isso mesmo, Fidelis lança a rede do coração para alçar as estrelas e semeia ainda enquanto tem força e coragem, firmeza e humildade, que se colhem em vida como louros da vitória.
Aqui comigo já sinto o quanto e porque já usufrui de sua amizade. E por isso, agradeço sua presença na vida de quantos vêm sombreando-se da sua árvore – quanto mais em anos mais fruto e saborosos se forjarão.
Desejo que a Estrela-Guia – a memória de sua querida mãezinha – o anime com o exemplo viçoso de um olhar materno que se vivifique e edifique nos que o amam em qualidade de vida e serviços à comunidade divinopolitana e lhe desejam feliz aniversário nesse feliz 2010!
Particularmente, minha gratidão pelo apoio em momentos relevantes em minha vida!
Texto de José João Bosco Pereira.
Sebastião Bemfica Milagre: biografia do poeta
http://letrasamoda.blogspot.com/2009/06/sebastiao-bemfica-milagre-sebastiao.html
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Sebastião Bemfica Milagre nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, aos 2 de setembro de 1923. Filho do casal Olyntho Bemfica Milagre e Deodata Maria Sempreviva.
Estudou no Ginásio São Geraldo em Divinópolis, indo, posteriormente, concluir seu curso em Belo Horizonte, no Colégio Arnaldo. Sebastião não chegou a fazer curso superior, encerrando seus estudos no Curso Clássico (hoje, Ensino Médio).
Casou-se com Maria da Conceição Natividade (Lilia) em 8 de dezembro de 1944, com quem teve quatro filhos: Antônio Weber Natividade Milagre, Sebastião Bemfica Milagre Filho, José Olinto Natividade Milagre e Paulo Rodrigo Natividade Milagre. Chegou a conhecer todas as noras (Priscila, Iolanda, Sueli e Rosângela) e todos os netos (Murilo, Marcelo e Fábio) e netas (Vanessa, Daniela, Samanta, Letícia e Patrícia).
Foi Escrivão de Polícia na cidade de Divinópolis por mais de 30 anos, tendo-se aposentado nesta profissão. Como sua despesa com a família era muito grande, pois mantinha três dos quatro filhos estudando em Belo Horizonte, Sebastião vendia seguros, trabalhando sempre à noite, quando lhe restava algum tempo. Após sua aposentadoria como Escrivão de Polícia, fez concurso para Leiloeiro Oficial da Zona de Leilão de Divinópolis, tendo exercido esta profissão por aproximadamente 17 anos. Trabalhou também na secretaria da FAFID (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis) – hoje FUNEDI.
Uma das coisas que mais marcaram sua vida, por ser muito religioso, católico praticante e atuante, foi sua nomeação como Ministro da Eucaristia, quando era Bispo, em Divinópolis, Dom Cristiano. Sentia-se extremamente honrado com a função de distribuir a Sagrada Eucaristia.
Em 2 de novembro de 1970, teve um grande baque em sua vida, que foi o falecimento de sua amada Lilia, com quem viveu um real matrimônio por 26 anos.
Em 1976 casou-se, pela segunda vez, com Maria do Carmo Mendes. Sebastião era um amante da literatura, tendo escrito e publicado mais de 20 livros de poesia. Extremamente apaixonado por música clássica, fazia, sempre que possível, audições diárias, de preferência com luzes apagadas, o som alto, em sua sala, especialmente preparada para isso, com 65m2 de área, onde 4 caixas de som ficavam espalhadas de forma que se podia ouvir, com maior percepção o som stereo das músicas. Chegou a colecionar mais de 300 fita magnéticas e aproximadamente 100 discos (LPs), nos quais chegou a ter um grande e variada coleção de composições raras de música clássica mundial. Gostava também de cantar e tocar violão.
Também dirigiu e apresentou um programa de músicas clássicas pela Rádio Divinópolis (AM). Foi um dos fundadores da Academia Divinopolitana de Letras (ADL), onde ocupou a cadeira de número 02.
Deixou, pela trajetória de sua vida, pelo menos sua marca de sabedoria, paz, honestidade, um sorriso alegre e sincero que, até hoje, é lembrado, com alegria, respeito e admiração por todos que o conheceram e souberam amá-lo. Sebastião faleceu em Belo Horizonte, no dia 22 de fevereiro de 1992, aos 68 anos de idade.
(Extraído do livro: Sebastião Bemfica Milagre, O Poeta de Divinópolis - Pedro P. Bessa)
Considerações:
Sebastião Bemfica Milagre apesar de ser uns dos grandes nomes da poesia divinopolitana, é pouco conhecido, até mesmo pelos próprios conterrâneos. No entanto, foi bastante reconhecido em sua época, tinha uma característica diferente, que era de publicar com seus próprios recursos e distribuir gratuitamente seus livros, exceto o primeiro deles, Via-Sacra, que foi vendido e sua renda revertida para a Igreja. Ele editou os seguintes livros:
Via-Sacra (1960)
Gomos da Lua (1963)
Toma cuidado menina (1965)
Pão de Sal (1966) Pastilhas (1967)
Gritos (1972) Homem Agioso -
Itinerários dos Diferentes (1974)
O Mundo Mundo-Outro (2 vols. 1976)
Sozinho na Multidão (1979)
O Mundo e o Terceiro Mundo (1981)
O Homem e a Caixa Preta (1982)
Almanaque - O Lírico da Noite (1985)
3 em 1 (1985)
Lápis de Cor (1986)
A Igreja de João XXIII (1986)
O Viaduto das Almas (1986)
Lixo Atômico (1987)
Doador de Sangue - Procissão da Soledade (1990)
Quarteto de Sopro - O Nome Dela É Perpétua (1991)
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Sebastião Bemfica Milagre nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, aos 2 de setembro de 1923. Filho do casal Olyntho Bemfica Milagre e Deodata Maria Sempreviva.
Estudou no Ginásio São Geraldo em Divinópolis, indo, posteriormente, concluir seu curso em Belo Horizonte, no Colégio Arnaldo. Sebastião não chegou a fazer curso superior, encerrando seus estudos no Curso Clássico (hoje, Ensino Médio).
Casou-se com Maria da Conceição Natividade (Lilia) em 8 de dezembro de 1944, com quem teve quatro filhos: Antônio Weber Natividade Milagre, Sebastião Bemfica Milagre Filho, José Olinto Natividade Milagre e Paulo Rodrigo Natividade Milagre. Chegou a conhecer todas as noras (Priscila, Iolanda, Sueli e Rosângela) e todos os netos (Murilo, Marcelo e Fábio) e netas (Vanessa, Daniela, Samanta, Letícia e Patrícia).
Foi Escrivão de Polícia na cidade de Divinópolis por mais de 30 anos, tendo-se aposentado nesta profissão. Como sua despesa com a família era muito grande, pois mantinha três dos quatro filhos estudando em Belo Horizonte, Sebastião vendia seguros, trabalhando sempre à noite, quando lhe restava algum tempo. Após sua aposentadoria como Escrivão de Polícia, fez concurso para Leiloeiro Oficial da Zona de Leilão de Divinópolis, tendo exercido esta profissão por aproximadamente 17 anos. Trabalhou também na secretaria da FAFID (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis) – hoje FUNEDI.
Uma das coisas que mais marcaram sua vida, por ser muito religioso, católico praticante e atuante, foi sua nomeação como Ministro da Eucaristia, quando era Bispo, em Divinópolis, Dom Cristiano. Sentia-se extremamente honrado com a função de distribuir a Sagrada Eucaristia.
Em 2 de novembro de 1970, teve um grande baque em sua vida, que foi o falecimento de sua amada Lilia, com quem viveu um real matrimônio por 26 anos.
Em 1976 casou-se, pela segunda vez, com Maria do Carmo Mendes. Sebastião era um amante da literatura, tendo escrito e publicado mais de 20 livros de poesia. Extremamente apaixonado por música clássica, fazia, sempre que possível, audições diárias, de preferência com luzes apagadas, o som alto, em sua sala, especialmente preparada para isso, com 65m2 de área, onde 4 caixas de som ficavam espalhadas de forma que se podia ouvir, com maior percepção o som stereo das músicas. Chegou a colecionar mais de 300 fita magnéticas e aproximadamente 100 discos (LPs), nos quais chegou a ter um grande e variada coleção de composições raras de música clássica mundial. Gostava também de cantar e tocar violão.
Também dirigiu e apresentou um programa de músicas clássicas pela Rádio Divinópolis (AM). Foi um dos fundadores da Academia Divinopolitana de Letras (ADL), onde ocupou a cadeira de número 02.
Deixou, pela trajetória de sua vida, pelo menos sua marca de sabedoria, paz, honestidade, um sorriso alegre e sincero que, até hoje, é lembrado, com alegria, respeito e admiração por todos que o conheceram e souberam amá-lo. Sebastião faleceu em Belo Horizonte, no dia 22 de fevereiro de 1992, aos 68 anos de idade.
(Extraído do livro: Sebastião Bemfica Milagre, O Poeta de Divinópolis - Pedro P. Bessa)
Considerações:
Sebastião Bemfica Milagre apesar de ser uns dos grandes nomes da poesia divinopolitana, é pouco conhecido, até mesmo pelos próprios conterrâneos. No entanto, foi bastante reconhecido em sua época, tinha uma característica diferente, que era de publicar com seus próprios recursos e distribuir gratuitamente seus livros, exceto o primeiro deles, Via-Sacra, que foi vendido e sua renda revertida para a Igreja. Ele editou os seguintes livros:
Via-Sacra (1960)
Gomos da Lua (1963)
Toma cuidado menina (1965)
Pão de Sal (1966) Pastilhas (1967)
Gritos (1972) Homem Agioso -
Itinerários dos Diferentes (1974)
O Mundo Mundo-Outro (2 vols. 1976)
Sozinho na Multidão (1979)
O Mundo e o Terceiro Mundo (1981)
O Homem e a Caixa Preta (1982)
Almanaque - O Lírico da Noite (1985)
3 em 1 (1985)
Lápis de Cor (1986)
A Igreja de João XXIII (1986)
O Viaduto das Almas (1986)
Lixo Atômico (1987)
Doador de Sangue - Procissão da Soledade (1990)
Quarteto de Sopro - O Nome Dela É Perpétua (1991)
terça-feira, 21 de setembro de 2010
soneto “Sombras” em Sozinho na Multidão (1979, p. 73), de sebastião Bemfica Milagre
Lindo soneto “Sombras” em Sozinho na Multidão (1979, p. 73), de sebastião Bemfica Milagre, em que realça o esquecimento e as sombras da memória:
Ó sombras, tristes sombras peregrinas
Que vindes quando a lua se levanta
E dormem frágeis, pálidas ondinas
Num leito de águas que balouça e canta;
Visões de névoa e doces serpentinas,
O que vos prende a terra e vos encanta?
Que sóis? Papoulas, gazas superfinas
O pranto sufocando na garganta?
Sois alma? Espetros? Que buscais no espaço
Nestas horas de brando esquecimento
Em que o mundo repousa de cansaço?
Buscamos ser alguém, embalde! O vento
Nos leva em noites mortas e augurais...
E somos sombra...
Sombra e nada mais...
Ó sombras, tristes sombras peregrinas
Que vindes quando a lua se levanta
E dormem frágeis, pálidas ondinas
Num leito de águas que balouça e canta;
Visões de névoa e doces serpentinas,
O que vos prende a terra e vos encanta?
Que sóis? Papoulas, gazas superfinas
O pranto sufocando na garganta?
Sois alma? Espetros? Que buscais no espaço
Nestas horas de brando esquecimento
Em que o mundo repousa de cansaço?
Buscamos ser alguém, embalde! O vento
Nos leva em noites mortas e augurais...
E somos sombra...
Sombra e nada mais...
Alguns sites em que há artigos meus.
Olá amigo João Bosco, seguem os links de alguns que têm artigos seus em VF:
http://www.viafanzine.jor.br/cronicas.htm
http://www.viafanzine.jor.br/cultura.htm
Entrevista com vc:
http://www.viafanzine.jor.br/entrevistas3.htm
Agradeço pela difusão de nosso trabalho,
Fraterno abraço,
Pepe
http://www.viafanzine.jor.br/cronicas.htm
http://www.viafanzine.jor.br/cultura.htm
Entrevista com vc:
http://www.viafanzine.jor.br/entrevistas3.htm
Agradeço pela difusão de nosso trabalho,
Fraterno abraço,
Pepe
Soneto sobre a árvore
Homenagem ao meu PAI Sebastião Pereira
que amara, em vida, tanto as árvores.
Hoje, dia 25 de nov. de 2007.
A árvore, filho meu, tem verde alma!
Vêm sendo-nos abrigo e nutrição...
A semente sua, brotos vêm da lama:
A fome, não! E sim, fruto-ação!
Este Pai diz: - Zaqueu sobe sem calma,
Ouve o Cristo sobre a recriação?
É passagem de Deus em cada palma,
E Jesus pede: - desça, dou Perdão!
Eles se contemplaram, pois, à sombra!
O porvir em hinos: história lembra!
Viva árvore em vida, sentindo-as,
As árvores não são contra suas gentes:
Para as florestas, todos são viventes.
Vem logo filhos seus à sombra delas!
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