segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Cronista Augusto Fidelis

Hoje nossa homenagem se destina a pessoa singular na topografia da cultura local

Bela noite... de poesia.
Fluem mágicas antenas
Por inspiráticos fluidos. (...)
Os vates da cidade
Aqui declamam, aqui amam
Aqui derramam, aqui clamam (...)
Os homens de olhar longe...
(poema “A Noite da Poesia”, de Sebastião B. Milagre,
em Doador de Sangue, 1990, p. 55-56)

Augusto Fidelis parabéns por mais um ano de vida!
Com esses versos milagreanos, enaltecemos a Augusto Fidelis, cujas marcas na Cultura local já são muitas e sólidas. Sua noite natalina é de alegria e poesia! As estrelas quais “mágicas antenas” de sua bondade e inteligência dizem que são anos “fluidos”; que é também um dos “vates da cidade”; um d”os homens de olhar longe”, cujo cuidado torna-se em obras de luz sideral; que escreves em crônicas o que a poesia “aqui defende, declama, ama, derrama, clama” como vivências e valores dos homens que “aqui amam”, segundo a previsão lírica de Sebastião Milagre, a quem tanto conheceu e admirou!
Confiado a João Bosco, eis o testemunho de Augusto sobre Milagre em “Café com Sebastião Milagre (2009)” – de Augusto A. Fidelis:

Conheci Sebastião B. Milagre por volta de 1983, quando comecei a trabalhar na Rádio Minas, como repórter. Ele, membro proeminente da Academia Divinopolitana de Letras, sempre e fonte para alguma matéria. Nessa época, fui à sua casa algumas vezes, para as sessões de música eruditas, apresentadas no seu aparelho de som, em disco de vinil ou fita K-7, com elaborado programa. Na ampla sala de visitas, os convidados se sentavam de maneira bem estratégica, não só para ouvir a música, mas também receber as possíveis explicações sobre a obra em execução. Enquanto desenvolvia o programa, a esposa Maria do Carmo preparava o delicioso café com pão de queijo, sempre servido no intervalo. Inspirado na sua gentileza, quando realizei a primeira Noite da Poesia na Escola Municipal de Música, que seria a única, em setembro de 1988, servi, no final, café com pão de queijo. E foi graças à sua intervenção, nessa oportunidade, que a Noite da Poesia teve continuidade até dezembro daquele ano. Aliás, não só até dezembro de 1988, como foi a sugestão, mas prossegue até hoje, apesar das muitas tentativas de acabar com esse evento. (cf. FIDELIS, 2009, p. única).

Com presença intuitiva e ativa entre nós, podemos situar Augusto Fidelis em Divinópolis. Ele nasceu em 19 de outubro de 1954, em Carmo da Mata, MG, jornalista, escritor, cronista já consagrado na imprensa local, destacou-se com O Julgamento da Cigarra (2004), uma versão crítica da fábula de Esopo e mediada pela herança de La Fontaine. Guarda uma lavra de poemas a publicação logo que puder!
Em Doador de Sangue (1990), Milagre nos lembra que Augusto (seu nome aparece duas vezes) é o realizador ou fundador da primeira Noite da Poesia, idealizada poeta Milagre:

“A Noite da Poesia”, evento poético, vem acontecendo todo mês, em Divinópolis, na sede da Escola Municipal de Música, desde Setembro de 1988. Seu realizador tem sido Augusto Fidelis. Ali, os poetas declamam seus poemas ou de outrem, ou simplesmente ouvem. Ao final do sarau, Augusto serve café e pão-de-queijo ou refrigerante. É grande a freqüência. (grifo nosso) (MILAGRE, 1990, p. 56)

Fez uma renovação com dois bons e frutíferos mandatos na ADL (2007-2009) como o 17º presidente a ser sempre ovacionado na Galeria dos Presidentes. São mandatos que, recentemente, significaram uma transição e renovação nesse momento inaugural do século XXI. Conquistou as atuais cadeiras Luis XV e parcerias para a ADL, com as quais alavancou projetos de valor cultural inestimável; restaurou, pintou a Biblioteca – hoje é um brinco de perola e vale a pena conhecer, cujo nome, por ele destinado, em epígrafe é Carlos Altivo, iniciativas dele realizadas com o aval dos acadêmicos. Reuniões animadas e cheias de visitantes e animadas.
Na ADL, ocupa a cadeira 26, desde o seu natalício de 2005; seu patrono é o escritor Malba Tahan, pseudônimo do engenheiro e professor Júlio César de Mello e Souza (1895-1974), autor de O Homem que Calculava e Maktub! Sempre que pode vem divulgando as obras desse autor. Durante sua presidência, lançou-se Efemérides da ADL (2008) e a inscrição de vários novos acadêmicos. Em Anthocrônica II – Antologia de Crônicas (2009), nas pp. 07-10, escreveu “O tempo e a tristeza pela profissão errada” e “Por que falar de amor?” ; na Antologia ADL 2009, PP. 10-12, publicou: “Benefícios da Imortalidade” e “Há uma cadeira vazia”. Atualmente, faz parte da Comissão de contas e outros projetos da ADL.
Sua voz ecoa cada manhã de sábado na Rádio Minas com criatividade e marca indelével. Incentivador da cultura local, ele recebeu o título de cidadão honorário em 1994, ocupou cargos como vereador em 1993, foi presidente da Fundação de Cultura de Divinópolis, Diretor da Escola de Música, do Esporte e Lazer... Dados do Poder Legislativo de Divinópolis: 1912-2002. Iniciou circulo intenso de palestras na ADL.
Muitos afirmam que desde que aqui chegou vem fazendo diferença pela elegância e criatividade com que vem levando sua vida.
Há muito já desejava conquistar Divinópolis. E vem conseguindo! Ele não conquista apenas títulos, principalmente afirma-se com a quantidade de amizade, que não perde em qualidade! “Ele é de outros carnavais”: a expressões faz jus enquanto Fidelis soube curtir a existência fugaz da festa mais popular do mundo. Se vão tantos carnavais e está sempre apertado em costura entre as muitas atividades com que tece o sentido da sua existência, há de convir que vem cada ano fazendo seu natalício neste ano com indubitável menu de gratidão à vida.
Seus cartões e convites no-lo testam! Projeta-se na figura singela do sertanejo à semear estrelas, cujo brilho ilumina a trilha por onde percorre – mesmo que seja, dura e atroz, envolta à escuridão. E quem disse que a escuridão não tem seus caprichos e beleza cósmica. Basta mirar o céu em noite límpida para ver salpicado de extraordinária magnitude e mistério o céu cujo norte se destaca uma estrela d’alva. Penso que a estrela de que me refiro é a fé ou o ideal de humanidade ou de investimento de que fazem parte o perfil augustiano. Fidelis é fiel ao projeto reservado por Deus a ele. E quem é fiel nas pequenas coisas como será então nas grandes ou nas médias.
Parece-nos que Augusto vem, pari passu, percorrendo as pulsações e enfrentando silenciosa e corajosamente a caminhada com maestria e galhardia. Ele mesmo sabe que com pouco Deus faz maravilhas; muito sem ele é hipocrisia! Não deixe de conversar e conviver com quem sabe que “o que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”.
Com esse epicentro no pensamento e no coração ambrosiano, existe uma opção sábia fundada na poesia de Cora Coralina. Foi o próprio Augusto que escolheu para seu cartão tão lindo esse referencial vivo e iluminador. As estrelas são as metáforas alusivas à amizade ou à fé que alumia a vida de Augusto entre nós.
Ele vê a gente e a si como quem semeia: Padre Antônio Vieira, recorrendo à parábola do semeador asseverou certa vez, mais ou menos assim: Coragem para semear o bem e firmeza para colher a semente madura são condições diferentes do agricultor do Reino dos Céus. Se é difícil semear porque há de si limpar a terra, abrir com esforço o sulco para a boa semente de Cristo nos corações (...), mas poucos são os que em vida colhem os frutos de seu ministério – não se sabe por que mistérios – outros colherão os frutos da semente que semeaste. (fonte alusiva a Pe. Vieira, material mimiografado, sem referência).
Esperamos convictos de que os cabelos brancos da maturidade não esmorecerão o empenho de Augusto Fidelis visto que Deus vem abençoando sua atitude com louros de sucesso, serenidade na adversidade, esperança no porvir quando tudo parece ruir... Isso mesmo, Fidelis lança a rede do coração para alçar as estrelas e semeia ainda enquanto tem força e coragem, firmeza e humildade, que se colhem em vida como louros da vitória.
Aqui comigo já sinto o quanto e porque já usufrui de sua amizade. E por isso, agradeço sua presença na vida de quantos vêm sombreando-se da sua árvore – quanto mais em anos mais fruto e saborosos se forjarão.
Desejo que a Estrela-Guia – a memória de sua querida mãezinha – o anime com o exemplo viçoso de um olhar materno que se vivifique e edifique nos que o amam em qualidade de vida e serviços à comunidade divinopolitana e lhe desejam feliz aniversário nesse feliz 2010!
Particularmente, minha gratidão pelo apoio em momentos relevantes em minha vida!

Texto de José João Bosco Pereira.

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