sexta-feira, 1 de abril de 2011

Pensamentos para refletir: Casa sem livro é corpo sem alma. Cícero.

Casa sem livro é corpo sem alma. Cícero.

Aqui você tem vários pensamentos selecionados...
José João Bosco Pereira - abril de 2011.
Porque o homem de gênio,/ o homem de talento,/ Além de ser mais sensível ao mal que recebe,/ Vê maiores as dores do mundo,/ E vê que não vale a vida/ Senão como um caminho/ Para a Eternidade... Sebastião B. Milagre

Éramos utópicos e românticos na ditadura, que tirava ou tentava tirar nossa vontade de participar politicamente pela transformação da sociedade nos anos 1960. Mas o socialismo representava nosso desejo de participação, o sonho de uma sociedade igualitária e justa. O estado estava calcado nas forças armadas. Até 1980, havia perseguição. Éramos filhos do exílio... Lutamos por uma sociedade democrática, participante e de livre em escolhas. João Carlos Boni Garcia – um dos torturados, que participa do filme Em teu nome, de Paulo Nascimento, diretor de cinema. (entrevista TV Senado)

Falar de ruas, praças e avenidas, é falar de histórias, é relembrar o passado, é fixar-se no ontem distante. Os logradouros são lugares de andarilhos, dos desencantos que a vida nos proporciona. Murilo Araujo (poeta de Serro, MG, autor de Aconteceu em Nossa Terra – pequenos casos de grandes homens. 3ª Ed., RJ: 1988, Ediotra Pongetti.)

Parabéns, Do Carmo,
Você conseguiu fazer os brócolis
Ficarem gostozinhos e verdinhos
Para nosso almoço de domingo
E eles estavam fresquinhos
No nosso prato com sabores multicolores...
(Lucas e João Bosco em 16 de jan. de 2011)

... Campos de futebol em Carmo da Mata
Divinópolis possui o melhor chuveiro do mundo.
Mário de Andrade, em “Noturno de Belo Horizonte”

O que a memória ama/ fica eterno. Poema do Zé, em Bagagem, de Adélia Prado

Corgozinho (2003) afirma Nas Linhas da Modernidade que :

O moderno como portador do novo ou contraposição ao antigo (...) demarca uma mudança de mentalidade, no modo de vida cotidiano, na economia e política. Os indivíduos buscam o entendimento de si e do mundo na modernidade, sem tutelas externas.” (2003, p. 278)


Não se pode julgar a força de um homem pelo seu aspecto físico e nem pelos seus títulos. Eu quero uma vida que seja minha somos queixa porque não temos direitos de escolher. Meias-esposas e esposa da noite. Não somos imperatriz e nem rainhas, mas uma outra espécie de mulher. Memórias de uma queixa, filme da Globo, em 08 de jan. de 2011.

Nunca conseguiria contar uma história completa. São fragmentos que não se casam e são livros a ser ainda lidos. Mate-me de prazer, filme da Globo em 08 de jan. de 2011.
O amor tem coisas surpreendentes. Cacau e Milagre

Neologismos de Milagre: sidilirismo (O poeta torna-se cúmplice da modernidade em sua cidade em crescente verticalização e o urbanismo que ocorre no seu bairro é testemunhado pelo poeta, que elogia o prefeito Walchir Resende, é o neologismo é para iniciar os poemas como “O achado paraíso, em doador de Sangue 1990, p. 81), hostilense e divinolense, divícia (ação a favor da cidade de Divinópolis na delegacia em que o poeta trabalhava).

Agradeço aos trovadores divinopolenses e aos de outras localidades do Brasil, o incentivo, o acolhimento e o carinho a que me dispensaram. Ao público que me honrou lendo minhas trovas, minha comovida gratidão. Divinópolis, 1990, MG, em Quartetos de Sopro (1991). O Autor.

Em A recompensa”, em Doador de Sangue (1990, p. 59): “A glória é ter exercído/ uma função policial/ (fui escrivão de polícia)/ sem ter feito nenhum mal/ nem praticado sevícia./ (além de glória, divícia!)”

Em Lixo Atômico (1987), de Sebastião Bemfica Milagre - O homem – (Colosso!!!) osso,osso...
Em Lixo Atômico (1987), de Sebastião Bemfica Milagre - O homem – (Colosso!!!) osso,osso...É uma forma de ironia dentro da palavra colosso está osso. Dentro de um processo de desconstrução, ação da bomba atômica, o gigante se decompõe em seus ossos. O poeta quis mostrar a fragilidade do homem quando utiliza a tecnologia para o mal. É o império de Tanatos contra Eros, morte contra vida. A alquimia da decomposição do homem em vermes e sua escatologia química redutível aos elementos da natureza – é o tema de Augusto dos Anjos que Milagre aproveita. O contexto a que o poeta se refere é o pós Guerra Fria, a conquista da Lua, o masoquismo de esperar o momento certo se o homem sente que seu desejo é postergado sempre... Ninguém consegue alterar o tempo presente – ele é igual para todos e o envelhecimento é inevitável. Contudo, o homem tende diminuir os dias de trabalho e aumentar o ócio e lazer, a partir da quinta-feira O poeta diz ser a corrupção o sinal dos tempos. Nesse sentido, somos fisgados nossa inclinação ao mal e à abjeção. A parte final do livro é dominada pela religiosidade... O poeta que prediz seu ciclo de barro, agora é retomado como o ciclo da dor: todas as ações do poeta se articulam com o sufixo “-dor”: amador, criador, sofredor... No final, o poeta diz ser um imperativo existencial:”é tempo de calar...” porque tudo que disse não vai repetir... já falou!
Os deuses brincam com os humanos como meu filho no Shaldew of the Colossus, play station (2010)
E os dizeres da “Oração Preparatória” e do ‘Epílogo” são os seguintes do texto milagreano da Via-Sacra (1960):

Rogo-vos que, aprendendo a carregar, paciente,
Ate ao fim, a cruz desta existência,
Possa eu ter a confiança
De que e segundo o vosso exemplo,
Exemplo de perdão, exemplo de humildade
E de respeito ao Pai, que o homem entra no templo
Da Eterna Felicidade!... (1960, p. 34)

- E quero vos pedir (bem sei que o não mereço,
Mas por ser o melhor dos prêmios a eu aspiro)
Que depois de vos ter, em alma, acompanhado
Nessa via de dor, de flagelo e tropeço,
Possa ter uma sem igual ventura,
A de participar, também, um dia,
Do vosso triunfo sobre a morte fria...
Assim, serei a mais ditosa criatura.

O senhor... mire, veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: Que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não forma terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas

O Brasil não é para principiantes. O europeu não o entende. Tom Jobim

Foi Deus que fez você (...)
O anonimato dos afetos escondidos
A saudade dos amores destruídos
Deus fez o violão tangente
E fez a gente só para amar... (Música de Zé Ramalho)

Jesus nazarenus Rex Iudaeorum!

Se tiveres boa consciência não temeras a morte. (Malba Tahan) na Imitação de Cristo.
POEMAS DE CECÍLIA MEIRELES: OBRA POÉTICA. 1987, RJ: Nova Aguilar.
p. 229: MUSEU

... espelhos de memórias fugitivas;
Presença passageira e esquiva
Das heranças dos poetas, malogradas;
A água que nunca volta
A saudade de Deus
Vaga e inativa...?

p. 667: Poemas escritos na Índia.

“Tão grande, o mundo?
Tão curta, a vida!
Os países tão distantes!
E alma.
E deuses.
E andavam museus
De saudade
Por cima dos
Jardins.”

Pluralidade da história plural
Jose João Bosco – 08/01/2011.
Eu, da planície,
Tu,d as montanhas...
Somos bem estranhos...
Eu, não consigo me lembrar de tudo...
Tu esconde de mim teu passado...
Importa ou não ?
Suspeitar – ambos se estranham...
E o que eu digo
Se não estou contigo.

É sempre a escritura nossa implicadura
Uma tessitura de coisas e pessoas em rede
Um manuscrito incompleto, em aberto
Na gestão da memória
E suas metamorfoses e perdas, lacunas de uma esquecimento
Lembramos e esquecemos...
Lembramos par a esquecer...
E as distorções do espelho miro e custo-me ver e já então
Sou eu o outro...
São historias sempre parciais e pro plurais
Na cronologias vivenciada ou inventada
De segundos de uma vida construção de vidas

Cidades é sempre plural. São muitas as temporalidades esquecidas e híbridas. Elas aparecem como histórias não contadas de um tempo que se fez passado e volta como mal do arquivo. E a sua incidência no presente vem inquietar a historiografia oficial cristalizada nos livros e manuais onde a verdade parecia única e adormecida. Desacreditamos do mito da origem, criamos a ilusão do paraíso para falar da harmonia do Deus que caminha no jardim etério e intocável de felicidades; criamos o caos e a Babel para explicar a nossa dificuldade de aceitar a diversidade cultural e étnica. João Bosco.
“Poesias de Divinópolis” de 1955-1970, última parte de A Igreja de João XXIII (1986, p. 43-49) consta de três poemas, selecionados em ordem decrescente, a começar com “Divinópolis”, de 1970; “Feliz Aniversário” de 1947 e “A Ajuda do Céu”, de 6-5-1955.
No poema “Divinópolis” dos anos 1970, mais de 100 mil habitantes na cidade, o olhar clínico do poeta sobre as contradições sobre a cidade-novo, cidade-povo, que cresce ou “exsurge” paradoxalmente é denunciado no texto. Assim, o ufanismo modera-se e é retemperado ou questionado à luz do cruzamento de horizontes antagônicos e antitéticos como a modernização da cidade e seus trilhos, comércio e empresas de um lado, e, de outro, a marginalização dos pobres em seus bolsões de pobreza na terceira estrofe; a favela da “Laginha que engatinha”, já na primeira estrofe; na periferia do bairro pobre do Catalão, de “pé no chão” na segunda estrofe:

Cidade fulge
Na industriaria/ (...)
Na siderurgia (...)
Surge e exsurge
Na estudoria.
Mas engatinha
No alto laginha.

Cidade malho
Trabalhadoria
Tarefa calo
Comercioria
Beleza salta
Na praçaria;
Cidade-não
De pé no chão
No catalão.

Cidade-novo
De povo novo
Sem bitolia,
Povo que a sorvo
Não admite
Paternaria
Do próprio esforço;
Sozinhamplia
Transformaria;
Mas da pobreza
Geme a dureza.

Cidade forte
Aspira muito
Celebra a arte
No amanhã-dia,
Já sem laginha
Que engatinha,
Sem catalão
de pé no chão

A importância do poema “A Igreja de João XXIII” evidencia a abertura da Igreja com dois papas: João XXIII, Cardeal Ângelo Roncali, que se tornou o Papa da paz e dos pobres (28-10-1958 a 1963) e ele convocou as reformas pastorais e litúrgicas do Concílio Vaticano II, e o Paulo VI, que deu continuidade ao concílio desde 1963. A missa pode ser rezada no vernáculo ou idioma pátrio, embora ainda seja o latim a língua oficial da Igreja católica. Leigos e leigas participam diretamente das ações litúrgicas. O mundo não é mais visto como ameaça à fé cristã, que deve ser fermento na massa. No Brasil, destacou-se Cardeal Hélder Câmara, arcebispo da Bahia, pelo seu heroísmo em enfrentar abertamente e criticar a ditadura como proteger e defender os que foram perseguidos. Paulo Evaristo Arns escreve Brasil Nunca Mais, contra a tortura e violências da ditadura como um dos piores estigmas contra o povo brasileiro.
Milagre, leitor da Imitação de Cristo, enfatiza que novos ares chegaram às igrejas e às religiões para que os homens superassem o racismo e intolerância, procurassem a justiça como melhor caminho da paz. Ele chama a lição ao século XX como “semântica ladainha” ao lado do século de assaltos e guerras, uma dura contradição, tecnologia e miséria, lado a lado. (1986, p. 10)
Milagre aproveita esse opúsculo para inscrever-se como o primeiro poeta ministro extraordinário da Eucaristia nos anos 1970 e 1971, indicado por Pe. Vicente Evaristo, quando foi vigário da Catedral, e o bispo era Dom José Benedito Nascimento. O poeta, então, escreve o poema “Ministro da Eucaristia”: “eu subir ao altar/ hóstia aos outros entregar./ eu – sub- vim ao altar/ à hóstia-cristo me entregar.” (1986, p. 17) E no poema “O Irmão dos irmãos”, Milagre confessa, em 1965, a dificuldade de viver o evangelho como “sinuca-de-bico” ainda que peça Cristo: “Salvador, pusestes-me na arena/ entre feras humanas.” (1986,p. 19)
Em o “Ecumenismo 1966”, Milagre destaca um encontro entre o Frei Miguel e um diácono batista Nilo Maciel. Essa ação foi possível pois estava fundamentada na perspectiva ecumênica do Vaticano II e o diálogo religioso das igrejas e religiões. Paulo VI procurou mantinha intercâmbio com Athenágoras, da Igreja Ortodoxa, e o arcebispo anglicano Michael Ramsev.
Nas orelhas do livro O Melhor da Antologia: Convite à Navegação Sem Rumo! (2010), reconstitui a fundação da ADL, tão conhecida dos acadêmicos e contextualiza a iniciativa, a idealização e a participação de Sebastião Bermfica Milagre na noite de 08 de junho de 1961. Dados esses que são confirmados na ata de fundação da Academia Divinopolitana de Letras (em anexo). Nesse conjunto de informações dessa antologia1, cita-se:
O poeta Sebastião Bemfica Milagre, exercente da prosaica profissão de escrivão de polícia, à tarde, passava pela Farmácia Campos, situada na rua Goiás, em frente ao antigo Cine Arte Ideal, sempre parando com o proprietário, farmacêutico José Maria Álvares da Silva Campos, para uma breve tertúlia a dois, às vezes a três ou quatro, se passava uma conhecido também afeito à arte de versejar. O Sebastião, mais jovem, olhando o outro pelo prisma de sua poesia, (...) sugeriu a criação de uma academia. Ideia aceita. Com pouco o duo virou tíduo com a adesão do jovem advogado, mais aplaudido da cidade, já cognominado “Patativa de Divinópolis”. Foi lembrado o nome do poeta Jadir Vilela de Souza, mas este, bancário, estava distante. (...) [Este] gostou da idéia e se fez logo o capitão da empresa. De modo decidido, marcou uma reunião dos quadro pioneiros para tomar uma diretiva. Ficou acertado reuniram-se na residência de Sebastião Milagre, esquina de rua Paraíba e a Av. Getúlio Vargas, contra-esquina da Praça de Esportes do Divinópolis Tênis Clube, na noite do dia 08 de junho de 1961.

Essa citação é importante como decisão política da fundação da ADL e sua composição inicial, incluindo o poeta Sebastião Milagre como seu idealizador. Dos fundadores, apenas está ainda vivo Jadir Vilela, que fora aluno de sonetos de Sebastião Milagre. Morreram, na seguinte ordem: José Maria Campos, Milagre em 1992, Carlos Altivo em 13 de junho de 2009.
Em artigo do Jornal Divinópolis, de 28/92/92, p. 02, Carlos Altivo como professor de Economia Política escreveu o artigo “A morte do poeta maior”, enfatizando:

Habitualmente os poetas vivem é pelo coração. Do mesmo coração, por quem tanto viveu, morreu nosso poeta maior. Sebastião Bemfica Milagre. Divinópolis, uma cidade tão pobre culturalmente falando, ficou mais pobre ainda com a morte deste sue filho querido. (...) sem ostentação, simples de atitudes e rico de beleza moral. (...) Seus livros publicados, seus versos, forma e serão sua maior propaganda, colocando-se como nosso poeta maior. A tragédia do intelectual provinciano é se considerar auto-suficiente. Embalado pela fama considera-se o único, um monstro sagrado. Passa a ter a visão universal e esquece as coisas locais. Não participa em nada da sua cidade. Como se fosse vergonha ter um berço cultural humilde. Com o tempo, torna-se um estranho no ninho. Seu conhecimento, sua cultura, tudo é para uso externo, dos outros. Nunca para o seu povo, sua gente. Sebastião Milagre foi o contrário de tudo isto. Um dos fundadores da Academia Divinopolitana de Letras, toda a sua grande obra foi feito dentro dela. Prestigiando sempre o que é nosso. Era, por isto mesmo, preso ao torrão natal, às coisas de Divinópolis, como aqueles irmãos Karamazoviski, de Dostoievski.

A partir de seu ponto de vista, Carlos Altivo alude ao momento inaugural da ADL:

Há muitos anos, José Maria Campos, Sebastião Bemfica Milagre, Jadir Vilela de Souza e eu fundávamos a nossa Academia. Dois já se foram. De minha parte, Sebastião, já estou de espera. Recomendações a São Pedro. Breve, pela fatalidade das leis da Biologia, pedirei carona na cauda de um cometa e, no céu, certamente se Deus quiser, juntamente com os outros companheiros que se foram, faremos mais uma animada reunião da Academia. Até breve.

O local da primeira reunião e ata foi na moderna residência de Milagre na Rua Getúlio Vargas; a casa não existe mais, cedendo à construção da atual Praça de Esportes do Divinópolis Tênis Clube. No Álbum de Família (2010), pode-se ver esta residência de Milagre.
Atualmente, a Sede da Academia Divinopolitana de Letras está sediada no Prédio da Estação Ferroviária da EFOM – Estrada de Ferro Oeste de Minas, estilo neoclássico, inaugurada em 31/04/1916, com o tráfego das bitolas de 1,00 e de 0,76 metro. Salas e repartições internas tinham belas paisagens regionais pintadas nas paredes, as quais foram descaracterizadas por reformas feitas pela concessionária, FCA – Ferrovia Centro-Atlântica. O prédio desativado foi comodatado com o poder municipal, destinado a abrigar entidades culturais e órgãos da Secretaria Municipal de Cultura de Divinópolis.
(TAVARES; MERCEMIRO, 2010, p. 142)

Nesse antigo prédio, funcionara a antiga Praça da Estação Henrique Galvão, um dos nomes com que fora nomeada a cidade como Vila Henrique Galvão, hoje situada atrás do Pronto Socorro de Divinópolis, no centro da mesma cidade. Esse prédio é um dos poucos que sobreviveram às demolições constantes desde 1960. Com o Museu Histórico de Divinópolis, a Praça da Estação Henrique Galvão é um dos monumentos tombados pelo patrimônio histórico e cultural do município de Divinópolis, em Minas Gerais.
Esses fatos nos remetem à História da cidade e cultura de Divinópolis no início do século XX como a cidade que nascera dos trilhos no centro-oeste mineiro, enquanto a vida e obra de Sebastião Bemfica Milagre integram parte significativa da fundação da ADL nos anos 1960.

Segundo as atas da ADL e as correspondências da mesma academia, Milagre participava ativa e fraternalmente das reuniões. Zelava pelo bom andamento da ADL. Pode-se enumerar algumas das atividades que fizeram e faz parte da agenda cultural da ADL, em que Milagre contribuía pontual e criativamente: ciclos de palestras mensais; concursos literários diversos. Concursos internacionais de sonetos e de trovas. Concurso nacional de crônicas; criação do Museu Histórico e do Prêmio Cidade de Divinópolis; Edições de antologias e anuários (a primeira antologia sob organização de Milagre Mar, todas as águas te procuram2: contos, crônicas e poesias em 1962, deferida na primeira presidência, exercida por Gentil Ursino Vale, advogado natural de Resende Costa); Encontro de Academias de letras; realização de reuniões abertas à comunidade divinopolitana e saraus em parceria com associações de classe. (compilação de João Bosco em dissertação de mestrado em 11 de dez. de 2010)


Poesia é a linguagem do indizível, espaço de transcendência. É protesto contra o autoritarismo. É uma maneira de dizer o universal no regional. É um léxico diferente e lúdico, lírico e subversivo. A poesia nos expressa artisticamente. Isso é emocionante ou decepcionante. Há aí um traço do simbólico e da libido misturado. É um lugar para o outro falar entre ruínas e fragmentos da vida. É o vestígio do esvagiado. Deslocamo-nos nas entrelinhas da escritura, que nos capturam e nos evidenciam aos olhos de um leitor futuro. Morremos hoje para ressuscitarmos no texto um dia, sabe lá! As memórias se despedaçam e são apropriadas diferentemente lá no presente do futuro. Os sonhos não envelhecem e sublimamos no desejo de ser um outro... João Bosco sintetizando o aprendiz de São João Del-Rei, meu futuro escrito!

Parei para rever papeis, arquivos meus, jogar fora o que não serve mais. Vi que tudo era vaidade. A vida passa, estranha; o tempo tudo e nada esquece! Tudo passa com o homem. Os papeis são fósseis de gelo do passado. João Bosco 11 de junho de 2009.

Somos todos anjos com uma asa só; e só podemos voar quando abraçados uns aos outros. Luciano de Crescenzo.

Ao percebermos erros nos outros é um aviso para ver e corrigir as próprias falhas. Frei Anselmo Fracasso.

Dom Bosco, vós vos combadecestes das desventuras humanas; tivestes tanta devoção a Jesus sacramentado e a Virgem Auxiliadora; ajudai-me a fazer a vontade de Deus a meu respeito. João Bosco.

O cinema nasceu de uma ilusão de um trem na direção de pessoas em um café – a idéia deu certo.
Povo sem tradição é árvore sem raízes. O homem foi feito para narrar. Somos feitos de indagações. A cultura é a mediação e imaginário. A fábula é simbólica e universal, são história de que pensamos. Nasceu da oralidade sua forma primeira de sobrevivência. Frei Beto.

Irene Amaral Ferreira, que prefaciou fábula e o Livro do Povo, de Hugo de Lara (1975, p. 10), destaca que “O ROTEIRO DO POETA é claro e bem traçado. Confissão pública de uma juventude plenamente vivida e não exaurida ainda. Daí a sensação de que as palavras ainda são verdes.
Entretanto, a surpresa do leitor é mansa e reconfortante à medida que se penetra no mundo do autor a trilha vai sendo traçada pela própria gênese dos trabalhos. Todo o organismo compilados dos trabalhos sofre aqui o influxo da descoberta do homem-poeta e a consciência do que isto significa, principalmente na cultura de hoje. Ficaram gentes encurvadas ao pé da letra,/ e eu, poema ignorado.” Hugo de Lara – A fábula e o livro do Povo. (1975, p. 10),

Somos nossa memória. Jorge Luiz Borges (Eu me revejo na memória. Em Cantos Para a Flauta e Pássaro, p. 101, Osvaldo André de Melo.
Eu não quero garantir a verdade da minha interpretação. A humanidade caminha esperançosa, tentando vencer os obstáculos da própria angústia e insegurança existencial.
Que o intelectual precisa de livros, é verdade, mas precisa também de coração, integrado em todo seu trabalho intelectual e publicitário. Frei Bernardino Leers.

Não são as semelhança entre você o mal que vale, mas a diferença. Todos temos dos dois lados, mas depende de nossa opção. Hogward

O passado está vivo em quadros no castelo; as pessoas que perdemos voltam na forma que esperamos. Michel Goldenberg
Estive refletindo! Poucas coisas nos sobram do passado! São fragmentos da memória que nos cabe realizar alguma forma de conexão no presente. Meu pai Sebastião Pereira deixou grande biblioteca que os cupins destruíram em menos de 10 anos. Sobraram fotos e gravação, filmes, documentos pessoais, o consultório que meu irmão herdou, a cordion, que ele não tocava... os amigos dele iam lá em casa tocar para a gente. As lembranças da infância, as viagens, sua terra Cajuru e as árvores e eucaliptos La no Chaves que ele plantou e outros já destruíram. E o Sebastião Milagre, eu tive dele o acesso ao violão, o álbum de família, livros, o original de Doador de Sangue na ADL (1990). E aqui e acolá de vez em quanto me deparo com algum documento ou testemunho sobre ele. E as lembranças de alguns amigos. O arquivo vivo se une ao arquivo morto, epitáfio na laje do cemitério Central, fotos antigas, acervo disperso do poeta, e a memória dos que ainda estão vivos e o conheceram. João Bosco.

O Tártaro – reino de Perséfone, além dos campos Asfódelos, ficava no subterrâneo de Hades. À esquerda, ficava Letes, o Lago do Esquecimento, lugar dos espectros. Com Orfeu, tinha uma senha de acesso ao lago de Memória, Mnemósine, com Choupo branco. Podiam falar do passado e prever o futuro. Aí ficavam os mortos bons. Em Deuses e heróis do Olimpo: as maiores aventuras de todos os tempos. Robert Graves. RJ: Thex, 1992.

Toda saudade é a presença da ausência de alguém, de algum lugar, de algo, enfim. Súbito (...) não se pode ver o que se deixou para trás, mas que se guardou no coração. Gilberto Gil
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. Autopsicografia de Fernando Pessoa

Em Ovierdo surge de suas igrejas imagens de morte e de redenção ante a incompreensível perda da vida.

O poema
É uma ilha
Cercada de palavras
Por todos os lados. Cassiano Ricardo. (Gilberto Mendonça Teles. A retórica do Silêncio. Mec/Cultrix, 1980.)

O homem vive de razão e sobrevive de sonhos. La Rochefoucauld

Viver é rato; a maioria das pessoas apenas existem. Anônimo
Toda unanimidade é burra. Nelson Rodrigues

Quem gosta de abismos tem que ter asas. Nuit
As dificuldades fizeram-se para serem vencidas. Barão de Mauá

Da nada adianta a liberdade, se não temos a liberdade de errar. Mahatma Gandhi

Existe um meio de tornar isso melhor. Encontre este meio. Thomas Edison
A verdadeira motivação do homem é viver, não penas existir. Jack London

A vitória não consiste em receber honras, ma em merecê-las. Aristóteles.Eu vou a qualquer lugar, desde que seja em frente. Dr. Livingst

Todo conhecimento vem a nós hoje; antes íamos até ele. O arlegim é o ícone de hibridismos culturais com suas cores diferentes de um passado distante vindo do Egito, Grécia, India, para a Europa por meio de Marco Polo. A arte varia do nadir ao Zênite. Teatro, poesia e circo são expressões da cultura na alma de seu povo. A memória está na voz do artista, no corpo ágil do trapezista, na confiança do contador de histórias... Passant-Besson

Queres os valores do povo veja o cotidiano e os arquivos das diferentes gerações.

O EU PEGA CARONA
No tempo;
Passam como a erva do campo e dos telhados
E a vida é só presente, só o presente!
Depois é a fé no além, não presente, transcendente...
João Bosco.

A vida passa
Num segundo
Quando a gente vê
Estamos no outro mundo.

A vida é luta renhecida
Não fique na vitrine
E nem no desfile da avenida...
João Bosco – dez. 2010

Abaporu: vem de Aba (homem) e Poru (comer), é a base icônica da antropofagia, a imagem primitiva do Brasil e seus índios, a busca por emancipação, atualização dos artistas
As pessoas não são apenas impressões bioquímicas,
São emoções e sentimentos... Brair Lyon.

“O ROTEIRO DO POETA é claro e bem traçado. Confissão pública de uma juventude plenamente vivida e não exaurida ainda. Daí a sensação de que as palavras ainda são verdes.
Entretanto, a surpresa do leitor é mansa e reconfortante à media que se penetra no mundo do autor a trilha vai sendo traçada pela própria gênese dos trabalhos. Todo o organismo compilados dos trabalhos sofrem aqui o influxo da descoberta do homem-poeta e a consciência do que isto significa, principalmente na cultura de hoje. (no Prefácio de Irene Amaral Ferreira, A fábula e o Livro do Povo, de Hugo de Lara, 1975, p. 10). “
Ficaram gentes encurvadas ao pé da letra,/ e eu, poema ignorado.” Hugo de Lara – A fábula e o livro do Povo.


O Brasil não é para principiantes. O europeu não o entende. Tom Jobim
A universidade existe para democratizar a cultura.
Os mortos garantem o ciclo de novas gerações quando são cultuados. O homem não morre, ele troca de condição. A morte é uma metamorfose: a vida não é tirada, mas transformada. A morte é natural e anticultural. A cultura aniquila ou absorve a cultura a sua conveniência.
A mente é a transformação como a pedreira na mão do arquiteto. Falar e pensar estão juntos. O ocidente polemiza a verdade do oriente. W. Goethe.
A verdade vem da meditação: tornamo-nos um com o que pensamos. A lei da natureza é o silêncio. A linguagem não contém a verdade do mundo. A reflexão é a educação pelo calar-se. Confúcio.
A primeira condição de quem escreve é não se aborrecer. Machado de Assis
As dificuldades geram a paciência e esta gera a esperança. São João Maria Vianney
A vida para mim tem contorno de mulher. Compreendi sem compreender o mapa-múndi. Sebastião Bemfica Milagre
Meu pai teve para conosco um amor carismático – ágape – um carinho paternal.
Basta ter fé e tudo pode ser possível. Jaime MartIns (Cemitério Central)
Tudo marcha para a arquitetura perfeita. A aurora é coletiva,em Poesia Liberdade, de Murilo Mendes (1947).
A cidade é a coisa mais humana por excelência, supõe o encontro do sujeito com o objeto, da natureza com a cultura. Lévi-Strauss. (em Saudades do Brasil, canal 20, TV Senado, out. 2010.)
O homem é um ser cultural e constrói valores que são seus. A modernidade foi surto de decisões... As cidades selvagens das Américas é o novo barbaro que saquei o arquivo europeu. F. Gullar

Quando uma pessoa sente fome, é porque tudo o mais já lhe foi negado.
Betinho

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